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Renan Santos, candidato do Missão, que já admitiu usar droga alucinógena e discursou dizendo que ele e seus amigos estuprariam uma colega de partido, estreou no grande palco da eleição mimetizando Pablo Marçal. Foto: Reprodução TV Band
BRASIL

Renan Santos é aprendiz de Pablo Marçal em 2026

Fundador do MBL tem BO por estupro, denúncia por corrupção e guru monarquista

O candidato do Partido Missão à Presidência, Renan Santos, inaugurou sua participação na campanha eleitoral de 2026 no debate da TV Band, na noite deste domingo (23), copiando a estratégia de Pablo Marçal em 2024. Além do fato de que o MBL e o Missão montaram uma estrutura para recrutar criadores de conteúdo que produzem vídeos curtos — os chamados “cortes” — com promessa de ganhos por monetização em TikTok, Reels do Instagram e YouTube Shorts, ele adotou o mesmíssimo estilo verborrágico, teatral, grosso, mal educado e absolutamente vazio em termo de propostas.

O tal treinamento dos criadores de conteúdo para interner, divulgado pelo próprio Renan Santos e pelo deputado federal Kim Kataguiri (Novo-SP), promete ensinar usuários a “criar cortes virais e transformar vídeos em renda”. A página anunciava ganhos mensais entre R$ 1.050 e R$ 4.850. Kataguiri, em vídeo que circula desde fevereiro de 2025, pergunta: “Quer ganhar R$ 2 [mil], R$ 3 mil por mês divulgando as nossas ideias, militando em prol daquilo que você acredita ao mesmo tempo em que você consegue fazer uma renda extra?”.
O caminho planejado para a campanha do jovem é perigoso. O personagem é de um ridículo que empobrece a política brasileira, mas é perfeito para ganhar alcance nas redes sociais — até mesmo para falar mal dele. Só que, se esse produto foi feito para ser posto numa máquina política digital, não há como ele ser “vendido” sem que se cometa um crime eleitoral.

O precedente que ele ignora

A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe remuneração, monetização ou qualquer vantagem econômica como retribuição pela publicação de conteúdo eleitoral. O precedente mais próximo é exatamente Pablo Marçal. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) declarou o empresário inelegível ao entender que a promessa de recompensas criou uma rede artificial de postagens, com uso indevido dos meios de comunicação. Marçal recebeu multa de R$ 420 mil. A condenação em segunda instância foi decidida por 4 votos a 3.

O modelo do Missão difere do usado por Marçal porque não prevê prêmios pagos diretamente aos criadores. Mas especialistas apontam que a organização de desafios, rankings, hashtags, monitoramento de resultados e orientação para monetizar os vídeos pode ser examinada pela Justiça Eleitoral. O site do partido monitora o desempenho das publicações. A cada 200 visualizações, o usuário recebe “XP da Missão”, pontos que alimentam um ranking público de canais. A advogada eleitoral Juliana Noda avalia que recrutamento, direcionamento, competição e estímulo financeiro elevam a possibilidade de a Justiça considerar que a mobilização deixou de ser espontânea. A candidatura pode ser impugnada.

O vazio por trás do barulho

O repertório é de impropérios. “Corrupto”, “vagabundo”, “porca”. São as palavras mais educadas que o candidato oferece. O plano de governo, apresentado como “Livro Amarelo”, tem propostas que vão contra a Constituição. A Agência Pública mostrou que suas ideias de segurança — “matar bandido como se não houvesse amanhã” — são juridicamente inviáveis. A promessa de “extinguir favelas” não tem método, não tem plano, não tem orçamento. Tem só a frase de efeito. É o método Marçal: grita alto para que ninguém perceba que não tem nada a dizer.

O boneco que fala em matar

Renan Santos, 42 anos, é empresário, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), criado em 2014, e fundador do Partido Missão, oficializado em 2024. Nunca disputou uma eleição. Declara R$ 795,1 mil em bens ao TSE. O homem que quer presidir o Brasil não consegue circular sem escolta — afirmou ter interrompido agenda no Ceará após receber ameaças de facções criminosas.

O currículo é assustador. Existe um boletim de ocorrência de 2021, registrado por uma mulher, acusando Renan Santos de estupro e violência doméstica. A Justiça de São Paulo, em primeira e segunda instâncias, negou o pedido do pré-candidato para remover das redes sociais as publicações que mencionam o boletim. Em 2018, subiu no teto de um carro e disse: “Se não formos permitidos de entrar, a Bárbara será estuprada“. Em 2020, o Ministério Público de São Paulo denunciou Renan Santos por tráfico de influência, fraude em licitação e corrupção na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP). O esquema: influência vira cargo, cargo vira contrato, contrato vira dinheiro, dinheiro volta como doação ao MBL via YouTube.

Em abril de 2026, admitiu usar psilocibina, substância alucinógena, para “ficar mais produtivo”. Seu marqueteiro, Eduardo Bisotto, viralizou por comentários racistas contra Vinicius Júnior. A reação de Renan foi uma “lei da mordaça” no Missão — não demissão, não repúdio. Mordaça. O guru intelectual do MBL é Curtis Yarvin, americano que defende a monarquia e a escravidão.

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O jardim de infância do neofascismo

O MBL nasceu nos protestos de 2013, foi sequestrado por uma engenharia política que desembocou no golpe contra Dilma Rousseff em 2016. Apoiou Michel Temer e a reforma trabalhista. Depois apoiou Jair Bolsonaro e o genocídio sanitário. Agora quer luz própria. Renan Santos aparece nas pesquisas com 6% no cenário estimulado e 11% entre eleitores de alta renda, acima de Zema e Caiado no segmento de quem ganha mais de cinco salários mínimos. Segundo a AtlasIntel/Bloomberg, é o primeiro nas intenções de voto entre jovens de 16 a 24 anos. O Globo já o chamou de “versão 2026 de Pablo Marçal”.

Renan Santos não é alternativa à extrema direita. É a extrema direita com logo novo. É o MBL, o movimento que pariu o golpe de 2016, que amamentou Temer, que acalentou Bolsonaro, e que agora quer seu próprio boneco no palácio. O boneco copia Marçal, tem BO de estupro, denúncia por corrupção, guru monarquista e marqueteiro racista. E fala em “matar bandido como se não houvesse amanhã”. O MBL é o jardim de infância do neofascismo. Renan Santos é o aluno que se formou com louvor. E agora quer ser diretor da escola.

 👀 Veja as reações à atuação do candidato do MBL

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