Uma faixa com os dizeres “entra p***, escorre sangue”, exibida com naturalidade por estudantes de medicina da Faculdade Santa Marcelina durante um torneio universitário, escancarou mais uma vez a misoginia brutal e a cultura da violência sexual que ainda persistem em instituições de ensino superior no Brasil.
A frase, retirada de um “hino” da atlética médica já proibido desde 2017 não é apenas de mau gosto: é uma apologia escancarada ao estupro, à dominação violenta e à desumanização de mulheres. A resposta da instituição, embora correta ao expulsar 12 estudantes e punir outros 11, escancara o fracasso em erradicar uma cultura tóxica que deveria ter sido enterrada há muito tempo.
A atlética responsável, a Pedro Vital (AAAPV), já tinha conhecimento da existência desse canto infame. Nada fez até que a faixa viralizasse. Quando confrontada, emitiu uma nota covarde culpando os calouros e alegando que o presidente “não havia lido” o conteúdo. Uma desculpa grotesca e conivente.
Ambientes universitários seguem cúmplices da violência
É revoltante que um curso de medicina que deveria formar profissionais para salvar vidas e respeitar a dignidade humana seja palco de manifestações que celebram a brutalização do corpo feminino. O caso não é isolado: é mais uma peça de um padrão nojento que atravessa atléticas, trotes e festas universitárias, onde mulheres seguem sendo tratadas como objeto de piada, de escárnio e de dominação.
É urgente romper esse ciclo. O mínimo que se espera de uma instituição de ensino é que proteja seus estudantes, especialmente mulheres, do abuso simbólico e literal que ainda se perpetua sob o verniz da “tradição” e da “brincadeira”.
Punições e encaminhamentos
A Faculdade Santa Marcelina afirmou que os 23 alunos envolvidos foram identificados e os dados encaminhados às autoridades. A atlética permanece interditada por tempo indeterminado. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) já protocolou denúncia no Ministério Público de São Paulo, cobrando a responsabilização de todos os envolvidos.
Não é exagero, é realidade
Não se trata de sensacionalismo. Trata-se de proteger mulheres, de combater a normalização da violência, e de erradicar com todas as forças qualquer estrutura que tolere a banalização do estupro. A faixa não foi erro isolado, foi sintoma de uma doença muito mais profunda que exige enfrentamento sistemático, público e permanente.
Fonte: Portal Vermelho






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