Cinco unidades da federação decidem o governo neste domingo (25). Quatro estados e o Distrito Federal. A esquerda sai do primeiro turno com um único favorito real, no Amazonas, e uma chance apertada no Rio Grande do Norte. No Distrito Federal, a favorita é a governadora que assinou duas versões sobre o maior escândalo financeiro do país.
O país que Lula disputa
No Amazonas, Omar Aziz (PSD) é o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A AtlasIntel aponta 56,9% contra 43,1% da Professora Maria do Carmo (PL). A Real Time Big Data mostrava cenário mais apertado nos votos totais, 46% a 41%. Aziz lidera. Não é dono do resultado.
A farsa que não derruba a favorita
No Distrito Federal, a bolsonarista Celina Leão (Progressistas) caminha para a reeleição com 61% dos votos válidos na Quaest, contra 39% de Leandro Grass (PT). Datafolha registra 59% a 41% e AtlasIntel 57,9% a 42,1%. Três institutos convergem. E convergem sobre a herdeira de um escândalo.
Em abril de 2025, quando o Banco de Brasília (BRB) comprava carteiras do Banco Master em operação de cerca de R$ 2 bilhões, a então vice-governadora disse: “Não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”. Em 3 de setembro de 2026, já governadora, mudou: “Sempre fui contra a compra do Master pelo BRB”. E acrescentou: “me opus publicamente à transação na época”.
As duas versões não podem ser verdade ao mesmo tempo. E ela assina as duas. Quando Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025, a memória dela mudou de lado. Celina também negou contato com o banqueiro: “Eu nunca tive nenhum contato com o Vorcaro”. A PF investiga telefonemas e mensagens entre os dois. E do celular do próprio Vorcaro emergiu o diálogo segundo o qual o banqueiro corrupto afirma taxativamente que Celina “tava dentro” do esquema.
Conversa entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda. Foto: Reprodução
Onde a esquerda pode respirar
No Acre, Mailza Assis (Progressistas) tem 62% contra 38% de Alan Rick (Republicanos). No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) marca 55% contra 45% de Ricardo Ferraço (MDB) — disputa entre duas gestões de direita, embora Ferraço seja uma direita moderada, que já se aliou à esquerda no passado.
O Rio Grande do Norte é o único empate técnico. A Quaest aponta o ex-prefeito de Mossoró, Allyson (União) — contra quem pesam séria acusações de corrupção –, com 51% contra 49% de Cadu de Lula (PT). A AtlasIntel inverte: Cadu 51,1%, Allyson 48,9%. Se Cadu vencer, a esquerda salva um governo. Se perder, encerra o segundo turno estadual com uma vitória só.
O balanço
A esquerda entra com dois nomes competitivos entre cinco. A direita entra com dois favoritos consolidados e um líder no Espírito Santo. O detalhe mais incômodo é o DF: uma governadora que disse duas coisas opostas sobre o mesmo bilhão segue na frente. A farsa não a derrubou. Só o voto pode.
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