A pré-candidatura de Ronaldo Caiado ao Planalto, anunciada pelo PSD, não mexe de verdade na corrida presidencial. No fundo, ela serve mais para reorganizar o Centrão e empurrar o governador de Goiás para o papel que já se desenha nos bastidores da direita: o de peça auxiliar na engrenagem que tenta turbinar Flávio Bolsonaro, filho do golpista condenado, que é o preferido dos neofascistas brasileiros.
Não é uma candidatura com cheiro de disputa real, a de Caiado. As pesquisas citadas no próprio material mostram o goiano patinando entre 4% e 5%, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro concentram a atenção do tabuleiro. O anúncio, portanto, funciona menos como projeto nacional e mais como movimento de bancada, recado interno e cálculo de sobrevivência do PSD no Congresso.
Gilberto Kassab faz a operação com a frieza de sempre: vende Caiado como nome “competitivo”, mas o que realmente está em jogo é ampliar musculatura no Legislativo e marcar território no Centrão. É a velha política em sua forma mais honesta — ou mais cínica — dependendo do ponto de vista. A candidatura existe, mas o peso real está na articulação.
Até então postulante à Presidência, o governador gaúcho, Eduardo Leite, foi preterido e estrilou.
“Embora essa decisão desencante a mim, como a tantos outros brasileiros pela forma como insistem em fazer política em nosso país, eu não vou discutir essa decisão. Mas isso não significa ausência de convicção”, disse o governador, em video publicado nas redes sociais.
E é justamente por isso que Caiado pode acabar cumprindo o mesmo papel que Padre Kelson desempenhou para Jair Bolsonaro em 2022: o de linha auxiliar, aquela figura que ajuda a compor cenário, sinaliza apoio, dá verniz de moderação e serve como ponte para o projeto principal da direita. No caso atual, essa linha auxiliar tende a favorecer Flávio Bolsonaro, funcionando como peça de suporte, não de liderança.
O papel de coadjuvante disfarçado de projeto nacional
Caiado fala em segurança pública, bate no governo federal e tenta se vender como alternativa. Mas a leitura política mais sólida é outra: sua pré-candidatura ajuda a organizar a direita ao redor de um nome mais competitivo dentro do campo bolsonarista. Ele entra no jogo para cumprir função tática, não para desmontar a hegemonia de quem já ocupa o centro da disputa pela extrema direita.
No fim, o anúncio do PSD revela menos uma novidade presidencial e mais a velha engenharia dos bastidores: candidaturas que parecem autônomas, mas que nascem calibradas para servir a um projeto maior.






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