A China enfrenta uma onda de catástrofes climáticas sem precedentes. Tornados mataram pelo menos 17 pessoas na região central do país, segundo a agência de notícias Xinhua. Enchentes históricas alagaram o sul, uma barragem ruiu em Guangxi abrindo uma brecha de 50 metros, e 900 cobras escaparam de uma serpentina no meio do caos. O Super Tufão Bavi, categoria 5 com ventos de 290 km/h, avança para a costa leste chinesa e deve chegar ao continente entre sábado à noite e domingo de manhã.
O presidente Xi Jinping ordenou operações de resgate “completas” e o reassentamento dos desabrigados. O governo de Hangzhou, na província de Zhejiang, decretou alerta máximo e pediu que todos os departamentos estejam “altamente alerta” e preparados para o pior, citando como referência o Tufão Lekima, que matou 66 pessoas em 2019.
O fio da meada
A estação de enchentes, que começou oficialmente em 1º de julho, é agravada pelo Super El Niño e pelo aquecimento global. Meteorologistas alertam que o país enfrenta desafios “complexos”, com ventos severos, tempestades e desastres geológicos em todo o território. O Centro Nacional de Clima da China prevê até seis tufões no Pacífico Noroeste e no Mar do Sul da China apenas em julho, número superior à média histórica.
O Tufão Maysak, que precedeu Bavi, já provocou o colapso da barragem em Guangxi, forçando centenas de pessoas a fugir para terrenos mais altos. A enxurrada criou uma torrente massiva que desceu o rio. Uma ferrovia transfronteiriça foi interrompida. A infraestrutura essencial está destruída.
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A conta do capital
O que se vê na China não é um acidente da natureza. É a conta apresentada por décadas de emissões de carbono impulsionadas pelo modo de produção capitalista. O Norte Global industrializou-se queimando combustíveis fósseis e agora transfere o custo da sua riqueza para o Sul Global, que absorve o impacto das catástrofes climáticas.
Enquanto os países desenvolvidos descumprem suas metas de redução de emissões e os bilionários continuam voando em jatos particulares, a China e o resto da Ásia enfrentam tufões cada vez mais intensos, enchentes cada vez mais mortais e um El Niño que se transforma em arma de destruição em massa. A crise climática é, antes de tudo, uma crise de classe global: quem polui lucra, quem sofre morre.





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