O abafa do TCU nas orgi4s de Daniel Vorcaro

Auditores fecham os olhos para noitadas de luxo em Trancoso

Festas de Daniel Vorcaro
Jhonatan de Jesus, ministro do TCU, que abafar investigação sobre as festas privê do Banco Master em Trancoso (BA). Foto: Reprodução Youtube/TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) está prestes a chancelar um dos maiores escárnios institucionais recentes. A área técnica da corte propôs o arquivamento do pedido de investigação sobre a presença de autoridades federais nas festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro em sua mansão em Trancoso (BA). Mais do que uma decisão burocrática, trata-se de uma blindagem explícita a uma rede de promiscuidade entre o dono do Banco Master — pivô de um rombo de R$ 52 bilhões — e a cúpula do Executivo, Legislativo e Judiciário.

O pedido de devassa, feito pelo procurador do Ministério Público de Contas (MPTCU), Lucas Rocha Furtado, exigia urgência. Ele queria a coleta imediata de provas, depoimentos e documentos para descobrir quem frequentou os eventos na Bahia. O motivo da pressa era óbvio: nos bastidores de Brasília, é de conhecimento público que as “festas” de Vorcaro iam muito além de jantares de negócios. Eram noitadas a portas fechadas, regadas a luxo, companhias exclusivas e prazeres financiados integralmente pelo anfitrião para agradar seus convidados ilustres.

No entanto, a Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos (AudBancos) do TCU preferiu a conveniência de fechar os olhos. Em um parecer que beira o cinismo, os auditores alegaram que não há provas de uso de “recursos públicos federais” nos eventos. A desculpa é uma afronta à inteligência: a moeda de troca nesses encontros íntimos não era o dinheiro do Tesouro, mas sim os favores e o entretenimento adulto bancados pelo empresário para comprar a lealdade de quem, por dever de ofício, deveria fiscalizá-lo ou julgá-lo.

A relatoria do caso está nas mãos do ministro Jorge Oliveira, e o processo foi pautado para a sessão da Segunda Câmara na próxima terça-feira (24). A tendência, já desenhada nos corredores da corte, é que o ministro valide a proposta técnica e enterre a representação de vez.

A esperada canetada de Oliveira servirá como o verniz oficial para uma lavagem de mãos institucional. Ao arquivar o caso sem sequer investigar a lista de convidados ou quebrar os sigilos necessários, o TCU não apenas livra as autoridades do constrangimento público de terem suas farras expostas, mas também consolida a mensagem de que, no Brasil, a promiscuidade entre o capital financeiro e o Estado tem passe livre — desde que aconteça nas praias exclusivas da Bahia.


LUÍS COSTA PINTO - Veja o vídeo

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