A paixão nacional pelo futebol por vezes mascara debates cruciais. A Copa do Mundo de clubes, que está a todo vapor nos Estados Unidos, oferece um espelho para a hipocrisia que assola a política brasileira. Imagine: o time campeão embolsará 125 milhões de dólares – cerca de 676 milhões de reais. Mas, antes que essa fortuna chegue às mãos do vencedor, uma parte substancial fica nos cofres norte-americanos, por força da lei e da tributação.
Precisamente, se o Fluminense, único brasileiro ainda vivo no torneio, erguer o troféu, cerca de 43% desse prêmio – ou seja, quase 290 milhões de reais – seria retido nos Estados Unidos em impostos federais (30%) e estaduais (na casa dos 13%). Uma máquina de arrecadação eficiente, não é mesmo?
O espelho da hipocrisia no Brasil
Pois bem, essa é a faceta dos EUA que a extrema direita brasileira, que é sua “linha auxiliar”, ignora. Enquanto clamam que o Brasil deve seguir o “exemplo americano” em tudo, eles silenciam sobre a robusta tributação sobre grandes ganhos e fortunas que o país do norte pratica.
No Brasil, o Governo Lula, comprometido com a justiça social e o financiamento de políticas públicas para o povo, propôs recentemente um aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em transações tipicamente realizadas pelas classes mais ricas, como compras internacionais e remessas de capital para o exterior. A resposta da extrema direita no Congresso foi imediata: derrubaram a proposta.
Essa atitude não é mera coincidência. Revela um padrão: a defesa intransigente da baixa tributação para os super-ricos, em detrimento do investimento em direitos coletivos e da redução da desigualdade. Enquanto um eventual campeão brasileiro de futebol entregaria hoje, aos cofres públicos dos EUA, quase a metade de sua premiação em impostos, a elite política ligada à extrema direita luta para que o Brasil não avance em uma tributação progressiva que distribua melhor a carga fiscal.
A luta por um país mais justo
A diferença entre a arrecadação americana sobre um prêmio bilionário e a resistência à taxação de grandes fortunas no Brasil não é apenas técnica. É a luta entre um projeto de país que busca a solidariedade, a equidade e o fortalecimento do Estado para garantir saúde, educação e bem-estar para todos – o projeto que o governo Lula tenta construir – e outro que visa a concentração de renda e a perpetuação dos privilégios.
Taxar os muito ricos não é punição; é o caminho para um financiamento público que permita combater a fome, investir em infraestrutura, fortalecer a educação pública e construir um futuro com dignidade para quem mais precisa.
A lição da Copa do Mundo é clara: se os EUA, o bastião do capitalismo liberal, não hesitam em garantir que o Estado arrecade de grandes somas para financiar suas necessidades, por que o Brasil deveria ser diferente?
[COPA DO MUNDO E IOF]
| Aspecto da tributação | Realidade: EUA (prêmio Copa) | proposta: IOF no Brasil (Governo Lula) N | arrativa da extrema direita |
|---|---|---|---|
| Alíquota sobre grandes ganhos | ~43% (federal + estadual) | Aumento para operações de ricos | “Estado deve taxar pouco” |
| Valor retido (sobre R$ 676 mi) | R$ 290 milhões | Maior arrecadação dos mais ricos | Menos impostos para os ricos |
| Impacto na sociedade | Financiamento público robusto | Maior justiça fiscal, mais serviços | Concentração de riqueza, menos estado |
| Coerência com “exemplo EUA” | Sim, em prática (EUA taxam muito) | | Ignora a prática eua quando não convém |






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