Três anos após o brutal assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, em Atalaia do Norte (AM), a Terra Indígena Vale do Javari permanece cercada pelas mesmas ameaças agora ainda mais intensificadas. O território abriga o maior número de povos indígenas isolados do planeta e continua alvo do crime organizado, da pesca e caça ilegais e do tráfico internacional, em meio a um vazio histórico de proteção estatal.
Bruno era respeitado pelos povos originários por sua dedicação à Univaja, organização indígena local. Foi ele quem criou a Equipe de Vigilância da Univaja (EVU), um marco na autodefesa dos territórios. Dom, por sua vez, pretendia escrever um livro Como Salvar a Amazônia e terminou silenciado por denunciar o que tantos preferem ignorar: a floresta virou fronteira da guerra entre a vida e a barbárie. O livro foi publicado postumamente.
Apesar dos avanços promovidos pelo governo Lula na reconstrução da política indigenista como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e o Observatório dos Povos Isolados , lideranças locais denunciam que as ações ainda são insuficientes. O advogado Eliesio Marubo, da Univaja, critica a fragilidade das respostas oficiais diante da ousadia do crime. Para ele, a escolta 24h para lideranças ameaçadas deveria ser regra, não exceção.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos acompanha o caso e cobra efetividade nas medidas protetivas. Mas a presença de forças de segurança continua irregular e os órgãos ambientais, como Ibama e Funai, operam com equipes desfalcadas. Para agravar, muitos indígenas têm sido aliciados por organizações criminosas.
Bruno e Dom foram vítimas de uma política de ódio promovida pelo governo Bolsonaro, que sabotou a Funai, difamou servidores e tentou transformar defensores da floresta em inimigos da pátria. Mesmo com denúncias e prisões inclusive do mandante identificado como “Colômbia” a impunidade ainda paira. Apenas dois dos três acusados irão a júri popular.
Enquanto isso, o legado de Bruno sobrevive na resistência dos povos e na força de Beatriz Matos, sua companheira e atual diretora no Ministério dos Povos Indígenas. Já Dom foi eternizado por sua obra e pelo instituto que leva seu nome. Ambos provaram, com suas vidas, que defender os invisíveis é o maior ato de coragem numa terra que insiste em matá-los.
[Comparativo: Política Indigenista]
| Governo | Políticas e Ações |
|---|---|
| Bolsonaro (2019-2022) | Ataques à Funai, sucateamento, incentivo a invasores |
| Lula (2023-2025) | Criação do MPI, retomada da proteção, mas ainda com limitações de pessoal e orçamento |
Fonte: Agência Brasil






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