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GEOPOLÍTICA

Trump x Musk: bilionários em guerra e Brasil na linha de tiro do colapso global

Ruptura entre ex-presidente e magnata da Tesla ameaça energia limpa, clima e tecnologia no Brasil

O confronto público entre Donald Trump e Elon Musk, que trocavam elogios durante o governo republicano e vinham mantendo uma aliança tácita desde a eleição de 2024, ganhou contornos dramáticos nesta semana e pode ter impactos muito além das fronteiras americanas. A ruptura entre o ex-presidente dos EUA e o bilionário sul-africano naturalizado americano tem potencial para afetar setores estratégicos no Brasil, como energia, inovação e relações diplomáticas.

A briga começou quando Trump, agora candidato à reeleição em 2028, criticou duramente a posição de Musk contra o projeto de lei “One Big Beautiful Bill Act”, aprovado pelo Congresso americano com apoio republicano. A proposta reduz subsídios a veículos elétricos e amplia gastos com infraestrutura de combustíveis fósseis — tudo o que Musk combate há anos. O CEO da Tesla e da SpaceX chamou o projeto de “aberração moral e fiscal”, sugerindo que os cortes são um ataque direto ao futuro da energia limpa.

Trump reagiu com ameaças públicas de romper contratos com empresas de Musk, incluindo os bilionários acordos com a NASA. O dono do X (ex-Twitter) respondeu com uma ameaça ainda mais ousada: desativar a espaçonave Dragon, vital para missões espaciais americanas. Recuou depois, mas o estrago estava feito: ações da Tesla despencaram 14%, o valor de mercado da empresa evaporou em US$ 152 bilhões e Musk perdeu US$ 34 bilhões em patrimônio pessoal em 48 horas.

Para o Brasil, os reflexos podem ser sentidos em vários níveis. Primeiro, porque empresas como a Tesla já demonstraram interesse no mercado brasileiro, especialmente em iniciativas de mobilidade elétrica e armazenamento de energia. O país tem reservas importantes de lítio e níquel — matérias-primas estratégicas — e uma queda no apetite global por veículos elétricos, incentivada por Trump, pode afetar o ritmo desses investimentos.

Segundo, a tensão evidencia a fragilidade da diplomacia climática global. Trump é abertamente hostil à agenda ambiental e já prometeu retirar os EUA novamente do Acordo de Paris. Musk, por outro lado, se tornou um símbolo — controverso — da transição verde. A briga entre os dois pode frear a cooperação tecnológica em áreas como energias renováveis, um pilar das políticas públicas brasileiras, sobretudo no governo Lula.

Terceiro, a crise escancara os riscos do alinhamento automático entre empresas privadas e governos populistas. Em sua escalada, Musk insinuou que Trump estaria envolvido com os arquivos secretos de Jeffrey Epstein — insinuação que inflamou o noticiário americano e polarizou ainda mais a opinião pública. A deterioração dessa aliança pode reconfigurar o tabuleiro político de influências internacionais, inclusive no Brasil, onde a extrema direita costuma mirar nos mesmos alvos que Trump e idolatra Musk como “inovador rebelde”.

Por fim, o episódio gera incertezas sobre o futuro da regulamentação de grandes empresas de tecnologia. Caso o trumpismo volte ao poder, é possível que plataformas como o X tenham mais liberdade para atuar com menos regulação — algo que preocupa autoridades brasileiras empenhadas em combater fake news, discurso de ódio e ataques à democracia.

Se a briga é bilionária, as consequências podem ser globais — e o Brasil, como potência ambiental, player estratégico de minérios e alvo constante da desinformação, terá de observar com lupa os próximos passos de seus antigos e novos aliados.

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