Um relatório inédito do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista piauí, mostra que os repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o filme “Dark Horse” foram maiores do que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu. O documento indica que o banqueiro corrupto fez um pagamento de US$ 1,66 milhão em setembro de 2025 — oito dias depois de o senador e candidato à Presidência cobrar parcelas atrasadas. E uma conversa de outubro aponta a liberação de mais uma parcela.
O problema para Flávio é a cronologia. Em maio de 2025, ele afirmou que havia recebido a última parcela de Vorcaro. O Coaf desmonta a versão. Em setembro, o dinheiro voltou a fluir. Em mensagem apreendida, o próprio senador comemorou: “Liberei mais uma hoje”. O repasse, de US$ 1.666.667, foi enviado ao Havengate Development Fund, fundo indicado por Flávio nos Estados Unidos para supostamente financiar a produção.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se recusou a responder a respeito de novos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao filme Dark Horse, revelados pela revista Piauí. “Essas informações eu não tenho como saber porque eu… pic.twitter.com/lFBPahMEQ6
— Folha de S.Paulo (@folha) September 1, 2026
O total que não para de crescer
Com a nova transferência, o montante identificado passa de US$ 12,3 milhões. A transação chamou atenção das autoridades justamente pelo volume. O caso começou com o The Intercept Brasil revelando que Flávio negociou R$ 134 milhões com Vorcaro. Caiu para R$ 61 milhões no Metrópoles. Depois, R$ 2 milhões no Globo. Agora, o Coaf mostra que a conta é ainda maior. A cada revelação, a versão do candidato encolhe.
O dinheiro tem origem no maior escândalo de corrupção da história recente do país: a fraude bilionária do Banco Master, que quebrou o banco e deixou prejuízo a aposentados e investidores. Vorcaro está preso. Flávio, que chamou o banqueiro de “irmão” e escreveu “estou e sempre estarei contigo”, segue candidato.
“Nenhum fato novo”
Questionado nesta terça-feira (1º) por jornalistas, Flávio se irritou e disse que não há “nenhum fato novo” na prestação de contas de “Dark Horse”. Afirmou ainda que a produtora é quem deve responder sobre o novo repasse. É o mesmo candidato que, em maio, prometeu tornar público o contrato com Vorcaro e disse estar “100% disposto” a prestar contas. A promessa morreu. O dinheiro, não.
O inquérito Dark Horse dorme no gabinete do ministro André Mendonça, nomeado por Jair Bolsonaro. Nenhuma busca e apreensão. Nenhuma quebra de sigilo. Enquanto isso, o Coaf faz o trabalho que o STF não faz. E os aposentados roubados no escândalo Master seguem esperando resposta. Cadê o dinheiro, Flávio?






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