O “Congresso Inimigo do Povo” entrou em campo para sabotar a maior reivindicação trabalhista da década. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o envio da PEC pelo fim da escala 6×1 à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O gesto, aparentemente favorável, esconde uma manobra discreta, uma armadilha que pode manter o trabalhador brasileiro preso à mesma carga exaustiva de sempre.
A manobra ficou clara quando Motta decidiu apensar (unir) ao texto original da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) uma proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A diferença é brutal: enquanto o projeto popular exige a redução imediata para 36 horas semanais, o texto anexado prevê uma transição lenta de 10 anos.
O Golpe das 44 Horas
O perigo real, no entanto, está na articulação dos bastidores para manter a carga atual de 44 horas semanais. O objetivo do centrão e da bancada empresarial é acabar com o 6×1 apenas na forma, obrigando o trabalhador a compensar as horas do sábado durante a semana.
Na prática, isso significaria jornadas diárias de quase 9 horas (sem contar o transporte), anulando qualquer ganho de qualidade de vida. Troca-se seis dias de cansaço por cinco dias de exaustão extrema.
Discurso x Realidade
Nas redes sociais, Hugo Motta usou palavras bonitas: “O mundo avançou, principalmente na área tecnológica, e o Brasil não pode ficar para trás”.
A retórica, porém, choca-se com a realidade da proposta que ele priorizou ao unir os textos. Se a tecnologia avançou, por que o trabalhador brasileiro deve esperar mais uma década (como propõe o texto de Reginaldo Lopes) ou continuar trabalhando 44 horas (como quer o empresariado) para ter dignidade?
A Batalha Começou
A tramitação na CCJ é apenas o primeiro passo de uma guerra. Se a mobilização popular nas ruas exigia “Vida Além do Trabalho”, a resposta do Congresso parece ser uma maquiagem legislativa: mudar a escala para acalmar os ânimos, mas manter a exploração intacta.






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