Documentos, depoimentos e agora a quebra de sigilo telefônico de Daniel Vorcaro revelam que o BRB foi deliberadamente usado para uma “operação salvamento” do banco privado, gerando um rombo estimado em R$ 5 bilhões aos cofres do Distrito Federal. Quase como se o banco de Brasília tivesse se transformado numa maquinhinha de caixa eletrônico para o Master.
A crise que hoje isola o governador Ibaneis Rocha (MDB) e provoca demissões na cúpula do banco não é fruto de má gestão. É o resultado de um projeto político que transformou o BRB em um balcão de negócios para amigos do poder.
A engenharia do prejuízo
O coração do escândalo está na compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. Eram ativos “podres”, sem garantias reais de recebimento.
- O que o BRB fez: Comprou dívidas impagáveis para injetar dinheiro vivo no caixa do Master.
- O que o BRB ganhou: Um buraco contábil que obrigou o banco a vender R$ 5 bilhões em ativos (como carteiras de consignado e FGTS) às pressas nesta semana para não quebrar.
Ibaneis: aquele a quem se obedecia
O BRB não agiu sozinho. A ordem para ignorar a prudência bancária veio de cima. A Polícia Federal, que acaba de quebrar a criptografia do celular de Daniel Vorcaro (dono do Master), busca as mensagens que ligam o banqueiro diretamente a Ibaneis Rocha.
A relação não era administrativa, era predatória. Ibaneis empurrou o BRB para uma fraude grotesca que drenou os cofres públicos e comprometeu o futuro do Distrito Federal. A pergunta crucial que os investigadores buscam responder agora, ao devassar as conversas de Vorcaro, é pragmática: o que o governador ganhou em troca de quebrar o banco estatal?
O jurídico avisou
A prova de que o crime foi premeditado está na saída de Jacques Veloso de Melo. O agora ex-diretor jurídico do BRB pediu demissão nesta segunda-feira (9) justamente porque seus alertas sobre os riscos da operação com o Master foram ignorados.
Veloso produziu pareceres contrários à compra das carteiras podres. Ao ver que a decisão política de Ibaneis atropelou a técnica, ele desembarcou para não ser arrastado pela lama. Em seu lugar, o banco nomeou uma nova diretora de compliance, Ana Paula Teixeira, em uma tentativa tardia de passar verniz de legalidade em uma casa já arrombada.
O silêncio cúmplice do mercado
Enquanto o BRB derrete, a elite financeira finge não ver. Em evento do BTG Pactual nesta terça (10), gestores criticaram o “risco fiscal” e a idade de Lula, mas calaram-se sobre o fato de que um banco público foi saqueado para salvar um player privado que opera como esquema de pirâmide.
O fim da linha
O cerco se fechou. Com o celular de Vorcaro aberto, o diretor jurídico transformado em testemunha-chave e o caixa do banco pedindo socorro ao Tesouro, Ibaneis Rocha não tem mais para onde correr. O BRB, orgulho de Brasília, foi a ferramenta de sua ascensão e será, agora, o motivo de sua queda.
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