Como se não houvesse crise nenhuma, o governador bolsonarista Ibaneis Rocha deu um churrascão na Ceilândia e renunciou ao cargo neste sábado (28). Deixa a vice, também bolsonarista, Celina Leão a frente de um governo quebrado, suspeito de corrupção e inflamado de crise por todos os lados.
Celina é candidata a governadora e assume o Buriti num dos piores cenários políticos e administrativos possíveis. A posse, marcada para esta segunda-feira, acontece sob pressão de greves, protestos e uma herança pesada deixada por Ibaneis Rocha. O que deveria ser uma transição protocolar virou um retrato da crise acumulada.
Na porta da Câmara Legislativa, grevistas já organizam atos para o dia da posse. Servidores da assistência social estão parados há duas semanas e decidiram manter a greve por tempo indeterminado. Professores e estudantes da Universidade do Distrito Federal também prometem protestar. A mensagem é clara: Celina não vai assumir com trégua, mas com cobrança.
Um governo que entrega crise, não solução
A nova governadora recebe um Distrito Federal com frentes abertas em praticamente todos os lados. A assistência social denuncia desvalorização, falta de diálogo e unidades funcionando no improviso. Na educação superior, o conflito se agravou com ocupações, greve e disputa judicial. O ambiente é de desgaste e desconfiança.
A situação só piora porque o governo que sai deixa também uma bomba fiscal. A gestão Ibaneis rebaixou a nota do DF, perdeu o aval da União para novos empréstimos e empurrou o governo para um quadro de restrição financeira. Em outras palavras: a máquina pública ficou mais cara para financiar e mais difícil de sustentar.
O rastro do Master e o desgaste político
Celina não assume apenas um governo pressionado por greves. Ela herda também a sombra do Caso Master e o colapso do BRB. A crise financeira do banco estatal, as suspeitas sobre operações ligadas ao ecossistema do banco e as revelações envolvendo o entorno de Ibaneis corroeram a base política do grupo.
As matérias já publicadas pela Frente Livre mostram que esse desgaste não é episódico. O documento que desmonta a versão de Ibaneis sobre o Master, o caso do duplex do filho do governador com verba ligada à Reag e a perda de capacidade de crédito do DF apontam para um mesmo eixo: um governo acuado por denúncias, rombos e perda de confiança.
A consequência é direta. Ibaneis sai sem recompor a imagem, Celina entra sem capital político e a oposição ganha terreno. No tabuleiro do DF, a sucessão não resolve a crise. Apenas troca o ocupante do Buriti enquanto o problema continua inteiro.






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