Fonseca desafia o topspin de Ruud por nova zebra

Após bater Djokovic, brasileiro encara "saibreiro" norueguês

João Fonseca Casper Ruud
João recebe os cumprimentos de Novak Djokovic depois da batalha épica na terceira rodada do Aberto da França. Foto: @rolandgarros

João Fonseca, o carioca de 19 anos que virou o novo dono dos domingos da família brasileira e o queridinho da audiência no grupo Disney (ESPN), chega às oitavas de final de Roland Garros com a alma lavada e o corpo pedindo trégua. Após a vitória épica contra Novak Djokovic, maior vencedor de torneios Gran Slams da história, atual número 4 do mundo — onde reverteu dois sets de desvantagem e provou que o “formato longo” é seu playground —, o cabeça de chave 28 agora tem pela frente Casper Ruud, o norueguês que joga no saibro como quem caminha no jardim de casa.

O confronto, marcado para este domingo (31), ainda sem horário definido, é o clássico duelo de estilos que faz o coração errar a batida. De um lado, a agressividade quase insolente de Fonseca, que busca encurtar pontos e bater na bola como se ela lhe devesse dinheiro. Do outro, o pragmatismo de Ruud, um especialista que não joga para dar espetáculo, mas para induzir o adversário ao erro através de um topspin (giro de bola) que faz a bolinha quicar na altura do ombro do oponente.

João Fonseca Casper Ruud

Casper Ruud precisou de 4h43 para vencer o norte-americano Tommy Paul na terceira rodada. Foto: ATP Tour

A armadilha do topspin e a guerra de território

Taticamente, o jogo de Fonseca corre um risco físico: o forehand de Ruud. No saibro pesado de Paris, a bola do norueguês ganha um peso insuportável. Se o brasileiro aceitar o convite para o rali de fundo de quadra, será engolido pela “teia de aranha” de Ruud, que adora trocas de mais de 10 bolas para moer o físico do adversário. A solução para o fenômeno brasileiro é desconfortável: ou ele recua e entrega a quadra, ou dá um passo à frente para bater na subida, assumindo o risco de uma chuva de erros não forçados.

Fonseca precisará de um dia de cirurgião no primeiro serviço. A chave para desarmar o norueguês será o uso agressivo da rede e de drop shots (deixadinhas), tirando Ruud da zona de conforto no fundo da quadra. Se o brasileiro conseguir manter os ralis curtos — de até quatro trocas —, ele tem a potência necessária para furar a defesa. Se deixar o jogo virar uma maratona de resistência, o “tanque” de Ruud, que já foi finalista em Paris, tende a prevalecer.

O peso do dia seguinte e o fenômeno de massa

Além da tática, há o fator mental. Fonseca jogou dez sets nas últimas duas rodadas e carrega o desgaste emocional de ter derrubado Djokovic, o maior vencedor de Grand Slams da história. Ruud, embora também venha de batalhas contra Safiullin e Tommy Paul, é um jogador mais econômico em seus movimentos.

Para o Brasil, que volta a registrar picos de audiência no tênis dignos da era Guga, o jogo é a prova de fogo para assistir a transformação de João Fonseca no novo sol do esporte nacional.

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