A eleição presidencial na Colômbia, realizada neste domingo (21), escancara as táticas da extrema direita para tomar o poder na América Latina. O candidato ultradireitista Abelardo de la Espriella, apoiado abertamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu vantagem sobre o senador de esquerda Iván Cepeda na apuração preliminar. Espriella tem 49,65% dos votos contra 48,71% de Cepeda, uma diferença de aproximadamente 250 mil votos em 25 milhões de votos válidos. As pesquisas pré-eleição colocavam os neofascistas ligeiramente a frente.
A apuração voto a voto começou poucas horas depois do fechamento das urnas, no início da noite do domingo. O presidente Gustavo Petro denunciou que alguns boletins de urna estavam irregulares, sem a assinatura de todos os mesários, e pediu impugnação. Cepeda afirmou que vai aguardar o resultado oficial para se pronunciar. “Com o escrutínio oficial, reconheceremos o resultado”, declarou.
A vantagem apertada de Espriella não é fruto apenas da vontade popular. Denúncias graves marcaram toda a campanha do segundo turno. As redes sociais foram inundadas por fake news contra Cepeda e o governo de Gustavo Petro. Organizações de direitos humanos registraram relatos de compra de votos em regiões periféricas e rurais. Mais grave ainda, há evidências de que dinheiro de Israel financiou plataformas digitais de extrema direita para impulsionar a desinformação e turbinar a candidatura.
O ensaio do autoritarismo
O candidato ultradireitista, conhecido como “Tigre”, construiu sua campanha em cima de símbolos nacionalistas e religiosos, discursou atrás de vidros blindados e prometeu reduzir o Estado em 40%, retomar o fracking e construir megacárceres. Ao declarar vitória, Espriella afirmou que “todas as democracias do mundo estão reconhecendo este triunfo”, em uma tentativa de legitimar o resultado antes mesmo da conclusão da apuração.
Do outro lado, a base de Cepeda é formada por trabalhadores pobres, povos indígenas, movimentos afro-colombianos, sindicatos e jovens. A participação eleitoral foi a maior já registrada na história colombiana, com 57,9% de comparecimento, um sinal de que a extrema direita se valeu de uma máquina de guerra política bem financiada.
O alerta para o Brasil
O cenário colombiano acende um imenso sinal de alerta para as eleições presidenciais brasileiras em outubro. As mesmas táticas já estão sendo testadas no Brasil, com um aumento de fake news contra o campo progressista e o risco concreto de financiamento estrangeiro de desinformação. A diferença é que o Brasil, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tem instituições mais robustas para reagir. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal já estão em estado de alerta. O caso colombiano prova que a extrema direita não hesitará em usar fake news, compra de votos e dinheiro internacional para tentar destruir a democracia.





Deixe seu comentário