A eleição presidencial na Colômbia entrou em uma nova fase nesta segunda-feira (22). O candidato de esquerda Iván Cepeda anunciou que sua equipe jurídica vai contestar os resultados de aproximadamente 33 mil urnas, em uma tentativa de reverter ou reduzir a vantagem apertada do candidato de extrema direita, Abelardo de la Espriella. Na apuração preliminar, com 99,94% das urnas contabilizadas, Espriella teve 49,65% dos votos contra 48,7% de Cepeda, uma diferença de cerca de 246 mil votos.
Pela primeira vez após a divulgação dos números, Cepeda falou publicamente e deixou clara a posição da campanha. “Reconhecemos a precontagem como um dado que ainda não é oficial, nem vinculante. Reconhecemos seu primeiro resultado, mas em seguida devemos informar que nosso grupo de observadores, dezenas de milhares de advogados, estão preparados para impugnar 33 mil mesas em todo o país”, afirmou.
A diferença entre o preliminar e o definitivo
A legislação eleitoral colombiana prevê duas fases de apuração. A precontagem funciona como um instrumento rápido, baseado na fotografia dos boletins de cada seção eleitoral. O escrutínio, que começou nesta segunda-feira, consiste na contagem física de cada cédula de papel em um centro de dados em Bogotá, supervisionado por tabeliães e juízes.
O presidente Gustavo Petro também se manifestou e reforçou a necessidade de respeitar o rito legal. “É a apuração oficial que determina quem é o presidente. Obedecerei aos juízes”, escreveu.
Resistência contra o avanço da extrema direita
Cepeda afirmou que a campanha não recorreu “a nenhum governo estrangeiro pedindo intervenção em nossas eleições” e que o programa de esquerda “mostrou quatro anos de êxitos, que tirou 4 milhões de colombianos da pobreza”. Em tom de resistência, ele disse que o campo popular é “uma força resistente que tem capacidade de sobreviver nas piores condições, se necessário”.
Do outro lado, Espriella já se declarou vencedor e recebeu o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, investigado por vínculos com grupos paramilitares, também celebrou e acusou Cepeda de compra de votos. O presidente argentino Javier Milei chamou a vitória de “histórica”. O campo progressista colombiano agora aposta todas as fichas no escrutínio voto a voto para tentar preservar as conquistas dos últimos quatro anos.





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