Um deputado federal brasileiro, insatisfeito com uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), recorre à embaixada de um governo estrangeiro para tentar reverter um ato da Justiça brasileira. O personagem desse absurso em várias esferas é Sóstenes Cavalcante (RJ), ele, líder do PL na Câmara e espécie de contínuo político do pastor ultrafascista Silas Malafaia. O caso expõe não apenas a obsessão da extrema direita em deslegitimar as instituições nacionais, mas também a biografia turbulenta de um parlamentar que acumula contradições, suspeita de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro e muitas perguntas sem resposta.
Tudo começou quando o ministro André Mendonça, do STF mas atuando no Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de um vídeo publicado por Sóstenes que associava o Partido dos Trabalhadores (PT) a facções criminosas sem apresentar provas. Em vez de cumprir a decisão e ponto final, Sóstenes acionou a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Ele enviou um ofício ao governo americano pedindo um posicionamento oficial sobre supostas investigações envolvendo partidos de esquerda na América Latina.
O motorista milionário
Aos 54 anos, Sóstenes Cavalcante é pastor da Assembleia Deus e fiel escudeiro de Silas Malafaia. Mas sua biografia política é um poço de curiosidades. Em 2022, o deputado declarava apenas 5 mil reais em bens. Um patrimônio modesto para um parlamentar.
A Polícia Federal descobriu que o motorista de Sóstenes movimentou cerca de 11 milhões de reais entre 2020 e 2024. Indagado, Sóstenes afirmou que o motorista é um empresário de sucesso que optou por ganhar 4 mil reais mensais dirigindo o carro do deputado. A explicação, longe de convencer, levantou ainda mais suspeitas.
Os 400 mil em espécie
Em dezembro de 2025, a PF apreendeu mais de 400 mil reais em dinheiro vivo com o deputado. Sóstenes disse que o valor era resultado da venda de um imóvel. Documentos de cartório, no entanto, mostram que a escritura da venda foi assinada somente depois da apreensão da PF. O imóvel, comprado por 280 mil reais em 2023, foi vendido por 500 mil reais. Integralmente em dinheiro vivo…
O que um parlamentar que declara 5 mil reais em bens faz com 400 mil reais em espécie guardados em um armário? A quem recorre quando a Justiça brasileira decide contra ele? À embaixada dos Estados Unidos, evidentemente. Afinal, para a extrema direita, a pátria é apenas um detalhe.





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