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operação contra banco de Edir Macedo
A operação contra banco de Edir Macedo expõe esquema de maquiagem contábil. PF bloqueia R$ 670 milhões em bens do bispo. Foto: RS/Fotos Públicas
ECONOMIA

Deus não há de aprovar fraudes no banco de Edir Macedo

PF acha maquiagem contábil de R$ 670 milhões

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record de Televisão. Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo. A Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o bloqueio de bens e valores de até 670 milhões de reais.

O golpe veio um dia depois de a agência de classificação de risco Fitch rebaixar a nota do Digimais, apontando possibilidade real de quebra.

“A capacidade de o banco manter suas operações sem suporte é altamente vulnerável a uma deterioração do ambiente de negócios”, afirmou a Fitch.

A agência também citou alterações na governança do banco, incluindo a substituição do presidente executivo e a destituição do Conselho de Administração.

Segundo a PF, as investigações indicam que “investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares”.

O cheiro de podridão

O modus operandi do Digimais tem semelhanças com o do Banco Master, de Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Enquanto a trupe de Vorcaro fabricava carteiras de crédito consignado falso para justificar bilhões em ativos ilusórios, a instituição de Macedo pegava carteiras de crédito podres, como financiamentos de veículos que ninguém ia pagar, e as transferia para fundos de investimento onde o próprio banco era o dono. O velho golpe do Zé com Zé para fingir saúde financeira.

A podridão aproxima os dois casos. No início do ano, Macedo tentou vender o controle do Digimais para Maurício Quadrado, empresário vindo justamente da cúpula do Banco Master. O Banco Central barrou o negócio por risco sistêmico.

O estrago do Banco Master resultou em liquidação extrajudicial e um rombo que obrigou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a destinar 49 bilhões de reais para cobrir o buraco. Agora, o Digimais enfrenta uma disputa judicial de quase 500 milhões de reais. O empresário Roberto Campos Marinho Filho, sócio do banco e dono da Yards Capital, acionou a Justiça contra a instituição por prejuízos com títulos da Fictor, Reag e do Banco Master, todos sob investigação do Banco Central.

Os envolvidos poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas. A diferença, como sempre, é que no Brasil, se um trabalhador furta um pacote de macarrão no supermercado, vai para a cadeia. Se um banqueiro frauda o sistema financeiro em bilhões, é chamado de operador arrojado.

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