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US$ 1 trilhão evaporou
Riqueza do capitalismo americano, baseada na ideia de valor futuro das empresas, produz crises devastadoras. Foto: FLIA com Magnific
ECONOMIA

AI-flation derrete US$ 1 tri em 27 minutos

Inflação, Apple e alavancagem recorde criam tempestade perfeita

US$ 1 trilhão desapareceu da bolsa americana em 27 minutos na manhã da quinta-feira (25) e o caso não passou despercebido pela Frente Livre. O Nasdaq abriu em alta e despencou antes das 10h, num movimento que não foi causado por uma guerra, um desastre natural ou uma pandemia. Foi a engrenagem interna do capitalismo financeiro se canibalizando em tempo real.

Três fatores explodiram ao mesmo tempo. O primeiro foi a inflação americana. O índice PCE, medida preferida do banco central dos Estados Unidos, chegou a 4,1% em maio, mais que o dobro da meta de 2%. Inflação alta significa juros altos por mais tempo, e juros altos são veneno para as bolsas.

O segundo foi a Apple. A empresa mais valiosa do mundo anunciou que vai subir o preço de Macs e iPads em até 25%, por causa do custo dos chips de inteligência artificial. Tim Cook, presidente da companhia, disse que o aumento era inevitável. Em minutos, as ações da Apple caíram 6%, apagando R$ 1,1 trilhão em valor de mercado de uma única empresa.

A alavancagem que virou avalanche

O terceiro fator foi a alavancagem. Investir com dinheiro emprestado é a aposta preferida do capitalismo financeiro. O maior fundo alavancado do Nasdaq tem R$ 200 bilhões aplicados. Na Coreia do Sul e em Taiwan, epicentros da fabricação de chips, os fundos alavancados chegam a R$ 325 bilhões. Em 2025, o total de fundos alavancados no mundo cresceu 490%.

Quando o mercado cai, quem está alavancado perde muito mais rápido e é forçado a vender para pagar as dívidas. O que deveria ser uma correção vira avalanche. O Bitcoin sentiu o golpe: em 60 minutos, R$ 2,5 bilhões em apostas alavancadas em criptomoedas foram liquidadas à força. A criptomoeda despencou para US$ 58 mil, o menor valor em 21 meses.

A inflação da inteligência artificial

O fenômeno tem nome: AI-flation. É a inflação causada pela corrida pela inteligência artificial. Chips mais caros encarecem computadores, servidores e dispositivos. O custo chega ao consumidor final num momento em que a inflação americana já está acima de 4% — por causa da guerra do eixo neofascista (EUA e Israel) contra o Irã, para encobrir o envolvimento de Donald Trump no Escândalo Epstein.

A grande lição é que o capitalismo financeiro criou as condições para a própria destruição e depois se surpreendeu quando ela aconteceu. Quando todo mundo aposta na mesma direção com dinheiro emprestado, qualquer tropeço vira avalanche. US$ 1 trilhão em 27 minutos não é um acidente. É a falha lógica e inevitável do sistema em funcionamento.

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