O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que já ostenta o título de golpista condenado e foragido nos Estados Unidos, acaba de ganhar uma nova e nada honrosa linha em seu currículo criminal. O nome do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro aparece em uma planilha de pagamentos atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, um dos chefões da máfia do cigarro e do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
A descoberta foi feita pela Polícia Federal (PF) durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (2). O documento, identificado como “planilha 2”, registra quatro depósitos para um “cliente” descrito com variações como “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”. Os valores, que somam quase R$ 110 mil, referem-se a repasses feitos em setembro, embora o ano não esteja explícito. Para quem se vendia como o paladino da moralidade e da inteligência, ser pego na contabilidade de um bicheiro é, no mínimo, um atestado de falência ética.
O “Rent a Crime” do bolsonarismo carioca
A planilha não é apenas uma lista de nomes; é o mapa da mina da lavagem de dinheiro e da corrupção que irriga a política fluminense. Além de Ramagem, o ex-governador ultra bolsonarista Cláudio Castro também aparece nos registros contábeis da organização criminosa de Adilsinho. A investigação da PF aponta que os valores eram destinados a doações eleitorais não declaradas e “mesadas” para agentes públicos, em um esquema clássico de compra de influência, que é o verdadeiro motor da extrema-direita no Rio.
Ramagem, que dirigiu a Abin sob as ordens de Jair Bolsonaro e foi peça-chave na tentativa de golpe de Estado, parece ter operado em várias frentes. Se por um lado usava a estrutura de inteligência do país para monitorar ilegalmente adversários, por outro, segundo os indícios da PF, mantinha o caixa abastecido com recursos oriundos do crime organizado. É o retrato fiel do bolsonarismo: o discurso é de “Deus, Pátria e Família”, mas a prática é de sacola de dinheiro e planilha de bicheiro.
De delegado a foragido: a queda do espião
A situação de Ramagem é cada vez mais insustentável. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por seu envolvimento na trama golpista de 8 de janeiro, ele fugiu para os Estados Unidos para escapar da prisão. Agora, a citação na Operação Unha e Carne abre uma nova frente de investigação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A PF trabalha para cruzar os dados da planilha com as movimentações financeiras reais do ex-deputado, que já era investigado em outros esquemas de desvio de cota parlamentar.
Enquanto Ramagem tenta se esconder sob a proteção do imperialismo americano, as instituições brasileiras seguem desenterrando o lixo que ele e seus aliados deixaram no Estado. A imagem do “delegado federal” caiu por terra, dando lugar ao que ele sempre parece ter sido: um operador político a serviço do crime, seja ele contra a democracia ou contra o erário público. O bicho deu zebra para o ex-diretor da Abin.





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