Enquanto os Estados Unidos celebravam seu 250º aniversário de independência neste sábado (4), o coração do império foi palco de um desfile que revela a verdadeira face da “democracia” ianque. Centenas de integrantes da milícia supremacista branca Patriot Front (Frente Patriota) marcharam mascarados até a Casa Branca, entoando cânticos de exclusão e ódio. O episódio não é um ponto fora da curva, mas o sintoma terminal de uma nação doente, cujo diagnóstico é um só: o capitalismo em sua fase de decomposição neofascista.
Vestindo o uniforme da mediocridade — camisetas azuis, calças cáqui e máscaras brancas para esconder a covardia —, os manifestantes carregavam bandeiras confederadas, símbolos históricos da escravidão e do racismo estrutural. O grito de “Reclaim America” (“Retomem a América”) ecoou pelas ruas de Washington, D.C., horas antes das celebrações oficiais, servindo como um lembrete incômodo de que o “sonho americano” sempre foi, na verdade, um pesadelo para as minorias étnicas e a classe trabalhadora.
Trump é o sintoma, o capitalismo é a doença
É tentador atribuir essa explosão de ódio apenas à figura de Donald Trump, mas essa é uma análise rasa que serve apenas para absolver o sistema. Trump é apenas o símbolo, o megafone de uma patologia muito mais profunda. A supremacia branca é a ferramenta histórica que o capitalismo estadunidense utiliza para dividir a classe trabalhadora e manter a hegemonia da burguesia. Quando o capital entra em crise, ele retira a máscara da “tolerância liberal” e coloca a máscara da milícia fascista.
A passividade das autoridades locais foi pedagógica. Segundo a Polícia Metropolitana de Washington, a manifestação transcorreu sem registros de confrontos ou prisões. Enquanto movimentos sociais de esquerda e ativistas antirracistas são recebidos com gás lacrimogêneo e cassetetes, os supremacistas da Patriot Front desfilam com escolta implícita. O Estado burguês, afinal, não ataca seus próprios cães de guarda; ele apenas os mantém na coleira até que precise soltá-los contra qualquer ameaça real à ordem estabelecida.
O “amor” de Bolsonaro e o entreguismo de Flávio
É para esse país em chamas e dominado por milícias racistas que o ex-presidente e golpista condenado Jair Bolsonaro já declarou publicamente “amar” e ser “apaixonado”. O alinhamento automático da extrema direita brasileira com o que há de mais apodrecido no império ianque não é apenas uma questão de afinidade ideológica, mas de projeto político. Bolsonaro nunca escondeu que sua “pátria amada” tem as estrelas e listras da bandeira de Washington, e não o verde e amarelo que ele usa para enganar incautos.
O projeto de submissão ganha contornos ainda mais perigosos com o senador e pré-candidato neofascista Flávio Bolsonaro. O “01” já sinalizou que seu plano de governo inclui entregar o sistema PIX e as reservas estratégicas de terras raras do Brasil aos Estados Unidos. Ou seja: enquanto milícias mascaradas marcham na capital americana, os Bolsonaro trabalham para transformar o Brasil em um quintal desdentado de um império que mal consegue esconder o próprio fascismo sob as máscaras da Patriot Front.
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