Dólar
R$ 5.12 Subiu
Euro
5.910 Subiu
Brasília
24°C 29°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

Cleitinho desiste candidatura
A fina flor do bolsonarismo numa audiência no Senado: Cleitinho (E), ex-futuro candidato ao Governo de Minas; André Fernandes (PL-CE), que é a ponta da agulha que espeta Michelle Bolsonaro pela aliança com Ciro Gomes; Marcos do Val (PODE-ES), senador afastado do mandato, investigado por golpismo; e Abílio Bruni (PL-MT), que se elegeu prefeito de Cuiabá e quebrou a cidade em menos de um ano de mandato. Foto: Roque de Sá/Agência Senado
BRASIL

Cleitinho era, Cleitinho não era, Cleitinho nunca foi

Líder nas pesquisas, Cleitinho prefere conversar com o irmão falecido por IA

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) conseguiu em 48 horas o que parecia impossível: ser candidato ao governo de Minas Gerais, não ser, e no fim não ser nada – tudo isso enquanto lidera as pesquisas com 35% das intenções de voto, 23 pontos à frente do segundo colocado. É preciso talento para desperdiçar uma vantagem dessas. Ele tem.

Na noite de segunda-feira (27), Cleitinho avisou a uma liderança do PL e ao próprio irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), que seria candidato ao Palácio da Liberdade. A informação foi recebida com alívio pelo entorno de Flávio Bolsonaro (PL), que precisa desesperadamente de um palanque forte em Minas Gerais para tentar sobreviver à própria candidatura.

Na manhã de quarta-feira (29), o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), soltou uma nota informando que Cleitinho não será candidato. Era o fim da linha para a novela mais nonsense da eleição de 2026.

A nota que não deixou pedra sobre pedra

O comunicado do Republicanos é uma peça rara de sinceridade partidária – e, por isso mesmo, uma facada nas costas de Cleitinho. A legenda afirma que “a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos — apesar das justificativas pessoais — representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”.

O texto continua, cada parágrafo mais afiado que o anterior: “Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.”

A frase final é uma obra-prima da indireta partidária: “O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.”

Traduzindo: Cleitinho não teve coragem de se candidatar. E o partido cansou de esperar.

O vídeo com IA e o irmão morto

Para coroar a novela com o requinte de mau gosto que só a direita brasileira sabe proporcionar, Cleitinho divulgou na terça-feira (28) um vídeo feito por inteligência artificial em que “encontra” o pai e o irmão Matheus Azevedo, morto na semana passada vítima de leucemia.

Na montagem, o irmão falecido diz a Cleitinho: “Vá e faça o que precisa ser feito. Nosso pai e eu estamos sendo muito bem cuidados aqui em cima, estaremos orgulhosos de você. Seja forte e corajoso. Não olhe nem para a esquerda nem para a direita, siga em frente.”

É isso mesmo que você leu. Um candidato que não decide se é candidato, que lidera as pesquisas mas falta à própria convenção, usou inteligência artificial para fazer o irmão morto falar. Em vez de ir à convenção, preferiu conversar com um cadáver virtual. E, mesmo assim, 35% dos mineiros dizem que votariam nele.

A conta que Flávio vai pagar

O Republicanos já decidiu: vai apoiar o ex-secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP). O apoio foi oficializado em reunião com a participação de Aro, Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira.

Flávio, que já viu PP e União Brasil declararem neutralidade na corrida presidencial, agora perde o palanque mais promissor do maior colégio eleitoral do Sudeste fora do eixo Rio-São Paulo. Minas Gerais, onde Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados no primeiro turno (30% a 29%, segundo a Quaest), era o estado onde um palanque forte poderia fazer a diferença. Agora, é mais um front perdido.

O candidato que lidera as pesquisas para governador em Minas não será candidato. O partido que deveria apoiá-lo virou as costas. O irmão do candidato, que é do PL, diz que “estão tentando se recompor” após a morte do outro irmão. E o pré-candidato a presidente, que precisa de votos em Minas, fica a ver navios.

Se a eleição fosse um teste de competência política, a extrema direita já teria perdido antes de começar.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57