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Centrais sindicais exigem proteção de empregos como condição para socorro a empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA. Foto: Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
ECONOMIA

TariFlávio não salva emprego, sindicato salva

CUT, Força Sindical e outras centrais entregam documento ao governo

Enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pedem “negociação” para enfrentar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra as exportações brasileiras, as centrais sindicais entregaram ao governo Lula um documento com uma proposta radicalmente diferente: proteger quem de fato sofre as consequências da guerra comercial — o trabalhador.

O documento, assinado por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST, foi entregue na sexta-feira (31) ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa. As entidades defendem incentivo à produção nacional, ampliação dos investimentos públicos, fortalecimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, acima de tudo, proteção dos empregos.

“Diante do agravamento da guerra comercial desencadeada pelas novas medidas protecionistas do governo dos EUA, as centrais sindicais expressam preocupação com os múltiplos impactos sobre a economia nacional, os empregos e a soberania produtiva e política do Brasil”, diz o texto.

A proposta que o patrão não quer ouvir

O ponto central da proposta sindical é uma exigência que os empresários evitam discutir: a manutenção das vagas de trabalho como condição para as empresas acessarem os programas de socorro. O governo federal destinou R$ 18,5 bilhões para socorrer empresas afetadas pelo tarifaço. As centrais querem que esse dinheiro público venha com contrapartida — quem recebe ajuda do Estado não pode demitir.

As entidades também defendem a busca por novos mercados para os produtos tarifados, o estímulo à produção nacional por meio das compras públicas e da política de conteúdo local, e maior investimento público em infraestrutura social e produtiva, incluindo transporte, energia, habitação, saúde e educação.

“Esse modelo de desenvolvimento deve estar estruturado na geração e proteção de empregos, no combate à precarização do trabalho e no fortalecimento da capacidade de consumo das famílias por meio da valorização da renda do trabalho”, afirma o documento.

Há ainda propostas de revisão da Lei de Patentes para combater abusos de propriedade intelectual, fortalecimento do Mercosul, fundos de compensação para trabalhadores afetados pelo comércio internacional e reforço da organização sindical para assegurar a negociação coletiva nos setores impactados.

O contraponto: o que os patrões propõem

Do outro lado da mesa, a reação do empresariado ao tarifaço é, no mínimo, reveladora. A CNI, a Fiesp e a Câmara Americana de Comércio (Amcham) não pediram proteção de empregos. Pediram negociação.

A CNI, em parceria com a Amcham e a U.S. Chamber of Commerce, enviou uma carta conjunta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos propondo “negociação” sobre as tarifas. A Fiesp afirmou que a “tarifa não faz sentido econômico”. A indústria nacional, segundo a própria CNI, vê o tarifaço como “ameaça às exportações” e defende “ampliação do diálogo e da cooperação” com os EUA.

Em nenhuma das manifestações empresariais há uma palavra sobre os trabalhadores que serão demitidos, sobre as vagas que serão cortadas ou sobre a renda das famílias que dependem dos setores exportadores. Para o patrão, a guerra comercial é um problema de balança comercial. Para o trabalhador, é um problema de sobrevivência.

Duas visões, um mesmo tarifaço

A diferença entre as duas propostas é a diferença entre quem vive do lucro e quem vive do salário. Os empresários querem negociar com Trump para proteger seus mercados e suas margens. Os sindicatos querem que o socorro público venha com a garantia de que o trabalhador não será jogado no desemprego enquanto o patrão recebe R$ 18,5 bilhões do Estado.

A pergunta que fica é: quando o governo sentar à mesa para decidir como usar o dinheiro do socorro, vai ouvir quem representa o capital ou quem representa o trabalho? As centrais sindicais já deram a resposta que esperam: proteção de empregos como condição para o dinheiro público. Os patrões, por sua vez, seguem pedindo “diálogo” — sem dizer com quem e sem dizer para quê.

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