Pelo menos onze palestinos, entre eles quatro crianças, ficaram feridos nesta sexta-feira (31/07) durante uma ação conjunta de colonos e soldados israelenses no bairro de Junaid, em Nablus, na Cisjordânia ocupada. Uma das vítimas foi atingida por arma de fogo no abdômen. O ataque não foi um incidente isolado. Faz parte de uma ofensiva militar sistemática que, segundo a ONU, mata em média uma criança palestina por semana na Cisjordânia desde janeiro de 2025.
Isso importa porque o que estamos vendo não é legítima defesa nem operação de segurança. É limpeza étnica. Colonos armados, sob proteção do Exército de Israel, invadem áreas sob administração palestina — onde a própria legislação israelense proíbe a entrada deles —, arrancam árvores frutíferas, envenenam gado, disparam contra veículos e vandalizam cemitérios. Quando a população reage, Israel usa isso como pretexto para ocupar casas, converter residências em bases militares e anunciar a expulsão de famílias inteiras de campos de refugiados.
O contexto é de uma escalada calculada. Na última terça-feira (28/07), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, instruiu as Forças de Defesa de Israel a se prepararem para tomar controle de mais um campo de refugiados na Cisjordânia e expulsar seus moradores palestinos. Um dia antes, militares ocuparam quatro residências em Tal e as transformaram em quartéis. Colonos responderam com uma marcha em massa pela vila de Sarra, escoltados por soldados. O governador de Nablus, Ghassan Daghlas, denunciou à RFI a facilidade com que Israel permite novas invasões contra áreas palestinas.
Os números são devastadores. Segundo a organização israelense de direitos humanos B’Tselem, quase um em cada quatro palestinos mortos pelas forças israelenses na Cisjordânia desde outubro de 2023 era menor de idade. Um relatório publicado em junho detalhou 54 casos de crianças e adolescentes assassinados por Israel no território ocupado apenas em 2025. O número de crianças mortas na Cisjordânia é o mais alto desde 1967. Nenhuma foi responsabilizada.
A origem da atual onda de violência remonta a 24 de julho, quando um confronto na vila de Tal terminou com quatro palestinos mortos. O episódio foi seguido por uma onda de ataques de colonos a vilas palestinas, dando início à operação militar que agora deixa crianças baleadas em Nablus. O ciclo se retroalimenta: colonos provocam, palestinos resistem, Israel usa a resistência como justificativa para mais ocupação.
Enquanto isso, a comunidade internacional mantém seu silêncio cúmplice. O mesmo Ocidente que se escandaliza com violações de direitos humanos em países adversários faz vista grossa quando o agressor é Israel. Crianças palestinas são baleadas no abdômen e o mundo segue girando como se nada tivesse acontecido.





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