O senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, subiu ao palco do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, neste sábado (1), com uma missão clara: transformar a convenção de lançamento da reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em vitrine nacional para sua própria campanha. Desceu do palco com o ginásio vazio, sem vice de chapa e sem aliança consolidada. O público começou a sair enquanto ele falava. Quando Tarcísio — o homenageado da convenção — subiu ao palco, a maioria das pessoas já havia ido embora.
O vídeo que circula nas redes sociais é inequívoco. Arquibancadas vazias durante o discurso do candidato a presidente. O primeiro anel, lotado às 10h30, virou fantasma por volta do meio-dia. O UOL registrou que parte da militância continuou deixando o ginásio até durante a fala de Tarcísio. A convenção estava marcada para as 9h15. Começou com mais de duas horas de atraso. Ninguém esperou. Nem o governador.
O palanque que virou velório
O esforço para transformar o evento estadual em demonstração de apoio nacional contrastou com a própria organização do ato. Marcos Pereira, presidente do Republicanos, chamou Flávio de “meu candidato a presidente” — mas a legenda mantém, no papel, a indicação de neutralidade na eleição nacional. Apoio na boca, neutralidade na papelada. O centrão em sua forma mais cristalina: flerte público, recuo institucional. Não abraça. Dá meia-volta.
A campanha de Flávio esperava ampliar sua aliança no evento, especialmente diante das dificuldades para definir um nome para a Vice-Presidência. Saiu de lá sem vice, sem público e com um vídeo viralizando. A convenção que deveria ser seu trampolim virou seu tombo. E o tombo foi filmado, postado e compartilhado milhares de vezes antes que o discurso terminasse.
Que fase do Flávio.. 😅
Falta de aviso não foi.. pic.twitter.com/kfb8dAMp1R
— Tancredo Eduardo (@tancredoeduardo) August 1, 2026
A decadência que se filma
O esvaziamento do Ibirapuera é o sintoma de um projeto político em decomposição acelerada. Em 2018, Jair Bolsonaro lotava estádios. Em 2026, Flávio Bolsonaro não segura um ginásio. A decadência não é silenciosa — é registrada em vídeo, legenda e hashtag.
O contraste com o campo adversário é inevitável. Lula foi ao podcast Inteligência Ltda. e falou para milhões. Flávio foi ao Ibirapuera e falou para cadeiras. Enquanto o presidente em exercício acusa Trump e Marco Rubio de planejar interferência eleitoral, o candidato da oposição discursa para arquibancadas vazias enquanto a Polícia Federal pede sua inclusão na lista prateada da Interpol.
Flávio não tem vice. Não tem aliança consolidada. Não tem público. Tem, isso sim, um inquérito aberto no STF por R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para um filme que pode nunca ter existido. Tem um pedido da PF na Interpol. Tem um irmão autoexilado nos Estados Unidos. E agora tem um vídeo de um ginásio esvaziando enquanto ele fala.
O palanque desceu. A queda continua.





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