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Usando um raciocínio bizarro de um senador trumpista numa audiência pública do Senado dos EUA, Nikolas Ferreira ataca vacinas e volta a defender cloroquina contra a covid. Foto: Reprodução Redes Sociais
CIÊNCIA & TECNOLOGIA

Genocidas voltam: extrema direita reescreve a pandemia em vídeo

Antes da vacina, hospitais colapsavam. Depois, mortes despencaram

A extrema direita genocida voltou. O pretexto é a sabatina do imunologista Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos, articulada pelo senador republicano trumpista Rand Paul, que divulgou e distorceu diários do cientista. No Brasil, a extrema direita foi além: passou a dizer que os diários provariam que o vírus da covid-19 não era perigoso, que as vacinas matam e que a cloroquina funcionava. É mentira atrás de mentira. Mas com método.

Os diários de Fauci não mostram nada disso. Revelam apenas que ele percebeu como Donald Trump era infantil, que alguns cientistas cogitavam a origem laboratorial do vírus e que ele era inicialmente contrário ao uso generalizado de máscaras pela população. Algo já conhecido. Não há qualquer revelação sobre vacinas nem sobre o vírus ser menos letal. Sobre a cloroquina, os diários mostram apenas que Trump pressionava para promovê-la, mesmo sem comprovação científica. Fauci se opôs veementemente.

👀 Veja o vídeo do novo surto genocida da extrema direita

 

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O método da mentira

Um vídeo gravado pelo deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) usa três estratégias para enganar. Primeira: afirmar que Fauci defendia a hidroxicloroquina. Falso. Os e-mails de Fauci mostram que ele e outros virologistas citavam e criticavam a posição de dar cloroquina para todo mundo. Nos diários, Fauci relata que Peter Navarro, conselheiro de Trump, chegou a uma reunião da Força-Tarefa da Covid com estudos recomendando a droga. Fauci se opôs. Não há nenhuma declaração de Fauci dizendo que a hidroxicloroquina funciona.

Segunda estratégia: confundir a posição de um indivíduo com a posição das instituições. Todo o vídeo foca em Fauci, uma pessoa que compunha a força-tarefa, mas as recomendações sobre máscara, distanciamento e ineficácia da cloroquina não eram produto de um indivíduo. Eram a posição da comunidade científica. Terceira: a politização. Misturam posições científicas com recomendações de governantes como Trump e Bolsonaro, que não têm autoridade para fazer isso, e sugerem conspiração com motivos eleitorais. No fundo, a mensagem é que a pandemia foi uma arma para derrubar Trump em 2020.

A realidade dos mortos

Se as vacinas causassem efeitos fatais em 1% dos vacinados, com cerca de 70% da humanidade imunizada, mais de 56 milhões teriam morrido. Algo facilmente perceptível. Antes da vacinação, houve recordes de mortes e hospitais em colapso, mesmo com Bolsonaro incentivando a cloroquina. Após o avanço da vacinação, internações e mortes despencaram. A ciência salvou o que restou. A extrema direita quer matar de novo.

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