A manchete da Folha de S.Paulo para a BTG/Nexus foi: “Lula e Flávio Bolsonaro empatam no segundo turno”. Empatam? 47 a 44 é empate? No mesmo dia, a Folha publicou editorial intitulado “Promessas de eventual Lula 4 são pouco críveis”. E manchete: “Lula vê dificuldade para ampliar eleitorado, e PT teme 2º turno”. No UOL, empresa do grupo Folha, a Quaest foi vendida com a manchete: “Flávio cresce na direita não bolsonarista; Lula perde com tarifaço”. A explicação dada, ipisis literis: “A reorganização da direita seria uma das explicações para recuperação de Flávio”.
A reorganização que não existe
A “reorganização da direita” é uma ficção. Flávio Bolsonaro está oficialmente isolado. Em menos de uma semana, quatro siglas do centrão bateram a porta na cara do candidato do PL. Podemos, Progressistas (PP), União Brasil e Republicanos formalizaram neutralidade. O Republicanos, partido ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, votou pela neutralidade em convenção: 17 dos 27 diretórios estaduais contra a aliança. O PL chegou a oferecer o fundo eleitoral, de R$ 881,6 milhões, e a vice a Daniella Marques. Recusada. Sem coligação, Flávio terá 20% menos tempo de televisão que Lula. Restou-lhe o apoio do presidente neofascista da Argentina, Javier Milei, que chamou Lula de “ladrão” e “ex-presidiário” em entrevista à TV argentina. O governo brasileiro rebaixou as relações diplomáticas com Buenos Aires ao nível de “chargé d’affaires”.
A BBC News Brasil publicou reportagem com o título: “Sem Centrão: Flávio Bolsonaro está isolado após sucessão de crises na campanha?”. A resposta é sim. O centrão, historicamente pragmático e disposto a negociar com qualquer um, não quer nem sentar à mesa com Flávio. Não é ideologia. É instinto de sobrevivência política. Mas a grande imprensa ignora o isolamento e vende a narrativa de “crescimento”.
A voz de Faria Lima
A explicação para o enviesamento está no bolso. Lula sancionou lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e criou imposto mínimo para milionários e multinacionais. Pela primeira vez na história, os ricos pagam imposto de verdade. A arrecadação prevista com multinacionais em 2026 é de R$ 3,4 bilhões. A Folha de S.Paulo é a voz do estabelecimento paulista, a perspectiva dos bancos, da Faria Lima, não a dos trabalhadores. Quando Lula taxou ricos, taxou o leitor da Folha. A resposta é editorial dizendo que as promessas de Lula são “pouco críveis”. Críveis para quem? Para o rentista que nunca pagou imposto e agora paga.
A pesquisa Meio/Ideia mostra ainda que, no cenário espontâneo, Lula alcança 34,4% e Flávio 23%. A rejeição a Flávio é de 48%, maior que a de Lula, de 47,4%. Ou seja: mais brasileiros se recusam a votar em Flávio do que em Lula. Mas a Folha diz que ele “cresce”. O que cresce é o desespero da classe que perdeu o privilégio fiscal. E a Folha é o megafone.





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