Dólar
R$ 5.13 Subiu
Euro
5.958 Subiu
Brasília
19°C 27°C 18°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

Foto: FLIA (com Magnific)
ECONOMIA

Saiba porque o Brasil tem 10 milhões de empregos novos

De R$ 622 bi do agro ao menor déficit habitacional: o Estado indutor funciona

O mercado de trabalho brasileiro acumulou 10.100.342 vínculos de emprego formal de janeiro de 2023 a junho de 2026, uma expansão de 19,1% no período, alcançando em junho um estoque de 62.891.209 de trabalhadores contratados com a carteira assinada ou por concurso público. Os dados são da RAIS Mensal de junho, divulgada nesta quinta-feira (13/8) pelo Ministério do Trabalho e Emprego em Brasília.

No acumulado apenas de 2026, são mais 2,46 milhões de empregos formais, crescimento de 4,1%. Os empregados contratados pela CLT, inclusive os temporários, registraram crescimento relativo de 4,75 milhões de vínculos, ou 10,9%, passando de 43,4 milhões em janeiro de 2023 para 48,15 milhões em junho. Entre os agentes públicos, a ampliação foi de 5,1 milhões de vínculos, chegando a 14,3 milhões. Dez milhões e cem mil. Não é estimativa. Não é projeção. É vínculo formal, carteira assinada, contribuição previdenciária, FGTS depositado, proteção social real. É o número que destrói, com a força de um machado, toda a narrativa de caos fabricada pela extrema direita e pelo terrorismo fiscal da Faria Lima.

O número não veio sozinho. Veio no bojo de uma avalanche de recordes que marca o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva como nenhum outro governo na história recente deste país. Cada indicador, isoladamente, seria motivo de manchete. Juntos, formam um muro de evidência que nenhuma oposição consegue escalar. Vamos aos números, porque os números não mentem, e quem mente tem medo deles.

O Produto Interno Bruto cresceu 1,8% no primeiro trimestre de 2026, o sexto maior crescimento do mundo, recolocando o Brasil entre as dez maiores economias do planeta. O PIB chegou a R$ 3,2 trilhões no segundo trimestre de 2025, com o décimo sexto trimestre consecutivo de crescimento positivo. O consumo das famílias subiu 0,5%, também recorde histórico. A agropecuária saltou 10,1% na comparação anual. O país cresceu porque o brasileiro voltou a consumir, e voltou a consumir porque voltou a ganhar.

A taxa de desemprego caiu para 5,1% no último trimestre de 2025, o menor nível da história da Pnad Contínua. No consolidado do ano, 5,6%. O Brasil nunca teve tanta gente trabalhando: 103 milhões de ocupados. A taxa de informalidade recuou de 39% para 38,1%. O número de trabalhadores por conta própria bateu recorde, chegando a 26,1 milhões. Mais gente contribuindo para a previdência: 66,9% do total, equivalente a 68,1 milhões de pessoas, a maior proporção da série histórica.

O desemprego de longo prazo, aquele que mede quem está há dois anos ou mais em busca de trabalho, caiu para 1,089 milhão de pessoas no primeiro trimestre de 2026, o menor patamar da série iniciada em 2012. Redução de 21,7% em um ano e de 69% em relação ao pico de 3,5 milhões registrado em 2021, no auge da gestão desastrosa de Jair Bolsonaro durante a pandemia. O pico absoluto da série foi bolsonarista. O menor patamar é lulista. A trajetória é clara e não admite reinterpretação.

O salário médio do trabalhador brasileiro atingiu R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026, o maior valor registrado desde o início da Pnad Contínua, em 2012. Crescimento real de 5,5% acima da inflação. A massa de rendimentos chegou a R$ 374,8 bilhões mensais, aumento real de 7,1% em um ano, o que significa R$ 24,8 bilhões a mais circulando na economia. A renda domiciliar per capita atingiu R$ 2.316 em 2025, segundo o IBGE.

A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, afirmou:

“Pode ter uma participação já dessa questão do reajuste do salário mínimo, que é uma recomposição e até ganhos reais.”

O salário mínimo, reajustado para R$ 1.621 em janeiro, puxa a base salarial para cima, e quando a base sobe, toda a pirâmide sobe.

A taxa de pobreza em 22 regiões metropolitanas caiu para 18,4% em 2025, o menor nível da série iniciada em 2012. Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a pobreza. A extrema pobreza desabou para 3,2%. A renda média domiciliar per capita nas metrópoles bateu recorde, alcançando R$ 2.766.

O economista Marcelo Ribeiro, pesquisador do Observatório das Metrópoles, explicou:

“Está muito vinculada com o fato de as pessoas mais pobres terem aumentado o seu nível de renda a partir do rendimento do trabalho.”

A vitória contra a miséria é fruto da valorização salarial. Não é bolsa. É salário. Não é assistencialismo. É trabalho.

A fila de pedidos do INSS caiu pelo quarto mês consecutivo e atingiu 1,9 milhão de requerimentos, o menor número desde outubro de 2024. Recorde de 890 mil novos benefícios em março e mais de 700 mil análises mensais em abril e maio. O órgão, que perdeu quase 50% do quadro de servidores durante o governo Bolsonaro, caindo de 33,8 mil para 17,8 mil ativos, se recupera sob a gestão Lula. A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, estima a necessidade de reposição de cerca de 10 mil profissionais. A máquina pública, sucateada pelo desgoverno anterior, volta a funcionar.

A aviação civil registrou 65,2 milhões de passageiros no primeiro semestre de 2026, aumento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. Foram 50,2 milhões em voos domésticos e 15 milhões em internacionais. Só em junho, 10,3 milhões de brasileiros passaram pelos aeroportos. A movimentação de cargas cresceu 1,4%, com 673,6 mil toneladas. Mais gente voando significa mais gente com dinheiro para comprar passagem. Mais carga significa mais produção, mais comércio, mais economia girando. A ANAC não explica o porquê do recorde, mas a explicação está no bolso do trabalhador.

O crédito agrícola bateu recorde histórico para a safra 2026/2027: R$ 622,4 bilhões, sendo R$ 525,1 bilhões para o agronegócio empresarial e R$ 97,3 bilhões para a agricultura familiar via Pronaf. O volume escancara a realidade: o governo federal é o verdadeiro fiador da balança comercial do país. Sem esse colchão de crédito, o latifúndio exportador não operaria na escala atual. O Estado que o agro ataca é o Estado que financia o agro. A retórica do Estado mínimo só dura até a hora de acessar a fila do crédito subsidiado nos bancos públicos.

O déficit habitacional caiu ao menor nível da série histórica, iniciada em 1995: 7,4% em 2026, contra 10,2% em 2009. O Minha Casa, Minha Vida, retomado em 2023 como prioridade do governo Lula após anos de desmonte, já contratou mais de 2,3 milhões de moradias, acima da meta inicial de 2 milhões. Lula estabeleceu nova meta: 3 milhões até o fim do mandato. O orçamento do FGTS é recorde: R$ 145 bilhões. O Fundo Social ampliou em R$ 20 bilhões os recursos, passando a operar com R$ 45 bilhões em 2026. Somado ao período desde 2025, o aporte chega a R$ 60 bilhões. O programa respondeu por 52% dos lançamentos imobiliários do país no último trimestre de 2025. No Nordeste, 64% das novas unidades vieram do Minha Casa, Minha Vida. O ministro das Cidades, Vladimir Lima, foi direto: “O programa é um motor da economia e nove em cada dez brasileiros aprovam.”

O Índice de Desenvolvimento Humano chegou a 0,805 em 2024. Pela primeira vez na história, o Brasil entrou no grupo de países com muito alto desenvolvimento humano. O SUS recebeu R$ 234,5 bilhões em 2025, o maior valor de sua história, e realizou 14,7 milhões de cirurgias eletivas, marco inédito. O desmatamento caiu 20% em todos os biomas. A Amazônia viu a devastação recuar 23,5%. O Cerrado, 17%. O país recebeu 9,3 milhões de visitantes estrangeiros, recorde de turismo. A taxa de homicídios registrou a menor da série histórica, com 42.590 assassinatos, queda de 6,9%. A Bolsa de Valores rompeu os 175 mil pontos. O investimento estrangeiro somou US$ 1,141 trilhão em 2024, 46,6% do PIB.

A pergunta que se impõe é: como tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo? A resposta é uma só, e é a que a Faria Lima não quer ouvir. Quando o Estado decide valorizar o salário mínimo acima da inflação, está transferindo renda para a base da pirâmide social. O trabalhador que ganhava R$ 998 em 2019 e ganha R$ 1.621 em 2026 não está só ganhando mais reais. Está ganhando mais poder de compra. E o poder de compra, quando chega à base, multiplica-se. O trabalhador compra comida, e o supermercado contrata repositor. O trabalhador compra passagem, e a companhia aérea contrata comissário. O trabalhador reforma a casa, e a construtora contrata pedreiro. O trabalhador coloca o filho na escola, e a escola contrata professor. Cada real a mais no salário mínimo vira dois reais na economia, porque o dinheiro que chega à base circula, não estagna. Não vai para paraíso fiscal. Não compra derivativo em Cayman. Compra feijão, carne, ônibus, remédio, passagem, livro.

É o efeito multiplicador da renda, e é a razão pela qual a valorização do salário mínimo é a política econômica mais eficiente para gerar desenvolvimento que existe. O PIB cresce porque o consumo das famílias cresce. O consumo das famílias cresce porque o salário cresce. O salário cresce porque o Estado decidiu valorizar o trabalho. E o Estado decidiu valorizar o trabalho porque entendeu que o motor do Brasil não é o mercado financeiro, é o trabalhador.

Canal no WhatsApp

Receba notícias da Frente Livre direto no celular.

A RAIS Mensal de junho confirma o que a Pnad, o Caged, o IBGE, a ANAC, o PNUD e o Banco Central já vinham mostrando. O Brasil tem 62.891.209 vínculos formais de emprego. São 10.100.342 a mais do que tinha em janeiro de 2023. São 2,46 milhões a mais do que tinha em dezembro de 2025. O setor de Serviços cresceu 28,3%, com 8,45 milhões de vínculos novos. A Construção cresceu 13,3%. A Indústria, 10%. O Comércio, 3,3%. A Agropecuária, 5%. Todas as regiões cresceram. O Sudeste liderou em números absolutos, com 3,78 milhões. O Norte teve o maior crescimento relativo, 34,7%. São Paulo gerou 1,64 milhão. Minas Gerais, 1,29 milhão. O estoque de vínculos de mulheres cresceu 25%, passando de 23,34 milhões para 29,18 milhões. Trabalhadores pardos tiveram acréscimo de 12,8 milhões de vínculos, ou 88,3%. Indígenas cresceram 164,8%. Jovens de até 24 anos, 13,5%. Trabalhadores com 65 anos ou mais, 73,6%.

A Faria Lima chora. A Bloomberg se engasga. Os papa-terminais de plantão torcem o nariz. Mas os dados não mentem. O emprego formal cresceu 19,1%. O desemprego caiu para o menor nível da história. O salário médio bateu recorde. A massa salarial bateu recorde. A renda per capita subiu. O PIB cresceu pelo 16º trimestre seguido. O IDH entrou no grupo de muito alto desenvolvimento. 65 milhões de brasileiros voaram em um semestre. A Bolsa rompeu 175 mil pontos. O SUS recebeu o maior investimento da história. O desmatamento caiu. O turismo bateu recorde. A violência caiu. O déficit habitacional caiu. A fila do INSS caiu. O crédito agrícola bateu R$ 622 bilhões. Dez milhões de pessoas saíram da pobreza.

Tudo isso aconteceu porque alguém decidiu que o trabalho vale mais do que a especulação, que o salário mínimo vale mais do que o juro composto, que a carteira assinada vale mais do que o derivativo, que a casa própria vale mais do que o aluguel de fundo imobiliário, que o feijão na mesa vale mais do que o dividend yield. O Estado voltou a ser indutor. O Estado voltou a investir. O Estado voltou a contratar. O Estado voltou a financiar. O Estado voltou a funcionar. E quando o Estado funciona, o povo ganha. Dez milhões e cem mil vezes.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57