O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, disse em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi informado sobre a operação de R$ 12,2 bilhões com o Banco Master. A informação, revelada pela colunista Natália Portinari, do portal UOL, é um desenvolvimento explosivo na investigação que apura a transação, considerada fraudulenta pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).
Segundo a apuração, Paulo Henrique foi questionado diretamente pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso, se Ibaneis sabia do negócio. O ex-presidente do BRB confirmou, afirmando que o governador era comunicado sobre investimentos desse porte.
Em uma tentativa de se proteger e, ao mesmo tempo, dividir responsabilidades, Costa afirmou que a decisão de comprar os ativos foi sua, baseada em uma avaliação “técnica”, e que o governador confiava em seu julgamento. Ele chegou a dizer que, em sua opinião, o negócio teria sido positivo se o Banco Central não tivesse liquidado o Master.
Contradições e a origem da fraude
O depoimento de Paulo Henrique, no entanto, está repleto de contradições, principalmente quando confrontado com a versão de Daniel Vorcaro, dono do Master. A principal divergência, que é o coração da fraude, está na origem dos títulos vendidos ao BRB.
- Vorcaro (dono do Master) disse que os títulos foram comprados de terceiros.
- Paulo Henrique (ex-BRB) afirmou que os títulos se originaram no próprio Banco Master.
A contradição é crucial porque a investigação do Banco Central aponta para um esquema ainda mais grave: os títulos teriam sido criados por uma empresa de fachada que produziu carteiras de crédito sem valor real, com base em documentos falsificados. A PF agora investiga a ligação dessa empresa com o Master, o que torna a divergência entre os dois depoimentos um ponto central para desvendar quem montou a fraude.
Investigação quer mais
Apesar da revelação sobre Ibaneis, a acareação entre os dois executivos foi considerada “pouco produtiva” pela PGR e pela PF. Investigadores avaliam que os depoimentos ocorreram cedo demais e defendem novas oitivas após a análise completa do material apreendido com Vorcaro e outros investigados.
A PF já intimou outros ex-executivos do Master e do BRB para depor nas próximas semanas. O cerco se fecha, e a tentativa de usar o nome do governador como escudo pode ter sido a última cartada de um executivo encurralado pelas evidências de uma das maiores fraudes do sistema financeiro nacional.






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