O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta terça-feira (3), a partir das 10h, audiência pública para discutir os impactos da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa no país. O debate foi convocado pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, proposta pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) — a entidade que representa o setor que o governo extinguiu. O presidente Lula convocou seu exército organizado no canal do WhatsApp para pressionar contra a volta das bets.
Dos 34 convidados, ao menos 22 são contrários à proibição.
A lista que a AGU teve de corrigir
A correlação de forças estava desenhada desde o início. A primeira lista de Fux era formada majoritariamente por clubes de futebol e representantes de empresas de apostas. A Advocacia-Geral da União (AGU) precisou pedir a inclusão dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública. O ministro atendeu no domingo (1º).
Com isso, entraram a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Comitê Paralímpico do Brasil, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e o Grêmio. Também constam CBF, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Corinthians, São Paulo, Cruzeiro, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa.
O lobby não estava no corredor. Estava na lista de inscritos.
O que os números dizem
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reuniu os dados que o setor prefere esconder: “A cada pessoa que entra na situação de perda de controle, arrasta mais seis. O filho, a esposa, a mãe, o pai. Dois em cada três apostadores de bets já estavam em situação de risco para a saúde”.
“Os atendimentos no SUS, por conta do jogo patológico, cresceram 140% desde 2018, quando essas bets foram liberadas sem lei. E os custos gerais de impacto na saúde chegam a 30 bilhões de reais por ano”, afirmou.
São 11 milhões de brasileiros com uso problemático das apostas. Metade dos alunos do terceiro ano do ensino médio já entrou nelas.
Algo muito estranho está acontecendo. O presidente Lula proibiu as bets, os clubes de futebol recorreram e caiu na mão do Ministro Luiz Fux, que marcou audiência pública pra discutir o assunto. Até aí tudo ok, o estranho é que ele convidou para a audiência pública apenas os interessados nas bets: clubes de futebol , donos de bets, casas de apostas, CBF e etc.
Pra se ter uma ideia do que está ocorrendo, até sexta feira nem mesmo o governo havia sido convidado, e somente depois de muita pressão chamaram o ministro da saúde e da justiça? Mas e a sociedade Civil? NADA!
Como o POVO não precisa ser convidado pra ser ouvido, a primeira dama Janja estará presente, junto com o instituto Clarice, que fez um estudo fantástico sobre o impacto das bets na vida das família, a Paula Lavigne que também fez um um movimento forte junto com a classe artística contra as bets e, é claro, o nosso exército estará acompanhando tudo e denunciando qualquer manobra sorrateira para liberar a atuação das bets novamente!
Um último aviso: nesse novo Brasil que se inicia, com uma comunicação digital ativa e com ruas e redes conectados, NINGUÉM NUNCA MAIS VOTA NADA ESCONDIDO DO POVO! 👍
— André Janones (@AndreJanonesMG) November 3, 2026
O efeito do veto já é visível
As vendas nos supermercados cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro, segundo a Abras. As transações por Pix caíram 10% logo após a restrição e se estabilizaram em 7%. O dinheiro que ia para a casa de aposta voltou para o prato.
Na devolução de saldos, mais de R$ 1 bilhão retornou aos apostadores, de um total de R$ 1,2 bilhão. O governo encaminhou para bloqueio 16.627 sites ilegais.
A mobilização de Lula
Nesta manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou vídeo no canal Exército do Lula alertando sobre a audiência e pedindo participação popular.
É importante que a sociedade civil participe para que haja justiça na decisão”, afirmou.
Fux abriu a sessão respondendo às críticas que circulam nas redes. Disse que o STF já discutiu “amplamente as consequências nocivas” das apostas em audiências anteriores, incluindo os efeitos psíquicos e sociais.
O setor que apostou contra o povo agora aposta no Supremo. E o placar da audiência já mostra para que lado o dinheiro jogou.

