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ECONOMIA

Bancões atacam TCU para manter Master enterrado

Manifesto é resposta direta a ministro do TCU que abriu porta para anular decisão do BC e permitir venda do banco

Em uma demonstração de força e um claro recado ao Tribunal de Contas da União (TCU), onze das maiores entidades do setor financeiro, incluindo a Febraban, fecharam questão nesta segunda-feira (5) no que chamaram de “defesa da autonomia” do Banco Central. A ação coordenada é uma resposta direta e contundente ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master no TCU, que abriu a porta para anular a liquidação do banco e, na prática, permitir a conclusão da venda que Daniel Vorcaro estava negociando com um grupo paulista em associação com fundos árabes.

O manifesto do mercado financeiro foi disparado após a divulgação do despacho do ministro, que não apenas confirmou a inspeção no BC, mas elevou a temperatura da crise ao sinalizar a possibilidade de uma “providência cautelar” para reverter a decisão.

Em seu texto, Jhonatan de Jesus fala em “risco de prática de atos potencialmente irreversíveis” e não descarta uma ação para “preservação da utilidade do controle externo”, uma linguagem técnica que, no jargão de Brasília, soa como uma ameaça de intervenção direta na decisão do BC.

Nos bastidores, o temor é que o ministro, que já havia falado em “precipitação na adoção de uma medida extrema” por parte do BC, conceda uma liminar a favor do Master ainda durante o recesso do Judiciário, que vai até fevereiro.

Foi esse risco iminente que uniu o establishment bancário. Conforme a Frente Livre vem noticiando, os grandes bancos pressionam pela liquidação do Master. A possibilidade de uma canetada do TCU reverter o processo e devolver o banco a Vorcaro acendeu todos os alertas. A nota conjunta, portanto, não é um mero apoio institucional; é uma manobra de guerra para blindar a decisão do BC e manter a disputa no campo “técnico bancário-financeiro”, longe do alcance da instância de controle do TCU.

Há, porém, detalhes incômodos na atuação do Banco Central. Por exemplo, a instituição vetou taxativamente a compra do Master pelo BRB em 3 de setembro. Era um negócio absurdamente fraudulento, que envolveu títulos podres e falsificações. Diante do crime, seria compreensível que o órgão supervidor do mercado financeiro agisse ali, imediatamente. Mas não foi o que aconteceu. A liquidação só foi decretada mais de dois meses depois, em 18 de novembro. Numa dessas coincidências difíceis de explicar, a ação se deu algumas horas depois de o próprio Vorcaro ter informado que conseguira outro comprador, desta vez uma transação completamente privada. 

Por que o BC esperou tanto tempo para liquidar o Master depois de descobrir as falcatruas com o BRB? E por que o fez apressadamente ao descobrir que seria vendido a um grande grupo privado dali a algumas horas?   

No manifesto, os bancões brasileiros afirmam depositar “plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central” e consideram “imprescindível preservar a independência institucional” do órgão. É a elite financeira do país, em uníssono, tentando construir um muro de proteção em torno da decisão que mais lhe interessa, enquanto se prepara para uma batalha que agora opõe abertamente o poder do mercado contra o poder do Tribunal de Contas da União.

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