Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, criaram o primeiro traje de mergulho do mundo para baratas. O equipamento, impresso em 3D, permite que o inseto respire e se mova debaixo d’água por até três horas. A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications.
O traje funciona como uma mochila de 10 por 10 milímetros — do tamanho de um chiclete — presa ao corpo da barata. Dentro dele, uma esponja revestida com dióxido de manganês decompõe peróxido de hidrogênio e gera oxigênio. O gás flui por quatro tubos de silicone conectados aos espiráculos, os orifícios respiratórios do inseto.
“Ao vestir uma barata, que é uma espécie terrestre, com este traje de mergulho, permitimos que ela sobreviva e opere em ambientes sem oxigênio”, escreveram os pesquisadores. “Transformando-a em um robô ciborgue anfíbio capaz de operar em terra e na água.”
A barata não é um zumbi
A barata ciborgue não é controlada como um robô tradicional. Eletrodos ligados ao cérebro e aos órgãos sensoriais do inseto permitem que um operador humano a direcione por controle remoto. Mas é fundamental que a barata mantenha autonomia para atravessar obstáculos e evitar destroços perigosos.
“Em um cenário de resgate, só precisamos estimular a barata a mudar de direção quando ela está indo pelo caminho errado ou se mover quando para inesperadamente”, disse o roboticista Keisuke Morishima, da Universidade de Osaka, que não participou do estudo do traje, mas foi quem primeiro aventou a hipótese, em 2023. “Ao expandir os parâmetros de operação de nossos insetos ciborgues para incluir deslocamento subaquático, acreditamos que eles podem aprimorar os esforços de busca e resgate.”
Por que baratas e não robôs
A vantagem da barata sobre um robô é a eficiência. O inseto ciborgue precisa de muito menos energia computacional para funcionar, porque não precisa alimentar motores e atuadores. Também não carrega uma bateria grande, o que seria um obstáculo em operações de resgate.
Em testes, a barata com traje atravessou circuitos de obstáculos submersos a velocidades apenas ligeiramente inferiores às que teria em terra. Os pesquisadores afirmam que o mesmo princípio pode ser aplicado a outros ambientes com pouco oxigênio — incluindo o espaço. Baratas cosmonautas podem não ser tão absurdas quanto parecem.






Deixe seu comentário