Bolsonaristas atacaram no sábado (15) à noite um ônibus que transportava apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a caminho do ato de lançamento da campanha de reeleição no Estádio 1º de Maio, a Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). Não esperavam a reação. Os apoiadores que estavam no local responderam e expulsaram os agressores. O registro foi divulgado pelo perfil @edicarlosvigilante nas redes sociais. O episódio não é isolado. É método.
O bolsonarismo nasceu violento. Cresceu violento. E quando encontra resistência, recua. A agressão em São Bernardo é mais um capítulo de um padrão documentado há anos.
O histórico da covardia
Em 8 de janeiro de 2023, milhares de bolsonaristas invadiram e depredaram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto. O ministro Alexandre de Moraes converteu a prisão de 740 bolsonaristas radicais em preventiva. As condutas tiveram como objetivo “coagir e impedir o exercício dos poderes constitucionais”. Foi tentativa de golpe.
Em 2022, a eleição registrou recordes de assassinatos por motivação política. A Agência Pública documentou pelo menos 50 ataques de apoiadores de Jair Bolsonaro só no período eleitoral. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) registrou 376 casos de agressão a jornalistas em 2022, praticamente um por dia. Bolsonaro foi responsável por 147 casos sozinho.
Em 2025, um homem atacou 18 ônibus em São Paulo após publicar posts contra Lula e Moraes. Em 2026, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi ameaçado por um bolsonarista armado. Um idoso de 69 anos foi agredido em Copacabana e ouviu “é Bolsonaro” durante o ataque. Mulheres sofreram 40% dos casos de violência eleitoral.
O dado que assusta
Um estudo do Núcleo de Pesquisa em Instituições Políticas e Movimentos Sociais (NIPOMS) do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) apontou 1.228 vítimas de violência política letal entre 2003 e 2023. Dessas, 760 foram mortas. Média de 61,4 mortes por ano. Seis em cada dez brasileiros afirmam ter medo de sofrer agressão física devido a posições políticas.
A violência bolsonarista não é excesso. É projeto. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu sua campanha em Copacabana defendendo pena mínima de oito anos para roubo de celular e castração química para estupradores. O vice, Alfredo Gaspar, é acusado de estupro de uma menina de 13 anos. Flávio o defendeu dizendo que foi “vítima de fake news”. O bolsonarismo fala de segurança com um acusado de estupro na chapa.
O povo reagiu em São Bernardo. Reagiu porque cansou da covardia. O bolsonarismo ataca ônibus, idosos, jornalistas e mulheres. Mas quando encontra resistência, foge. É a lógica do fascista: covarde na multidão, derrotado sozinho.
Casos documentados de violência política bolsonarista
8 de janeiro de 2023 — Brasília (DF): A invasão e depredação do Congresso, STF e Palácio do Planalto por milhares de bolsonaristas. O ministro Alexandre de Moraes converteu a prisão em flagrante de 740 bolsonaristas radicais em preventiva. As condutas tiveram como objetivo “coagir e impedir o exercício dos poderes constitucionais”. Foi tentativa de golpe.
2022 — Eleições presidenciais: A Deutsche Welle documentou que a eleição de 2022 registrou recordes de assassinatos por motivação política, tentativas de intimidação contra candidatos e pesquisadores. A Agência Pública registrou pelo menos 50 ataques de apoiadores de Bolsonaro em todo o país só no período eleitoral.
2020-2022 — Agressões a jornalistas: A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) registrou 376 casos de agressão a jornalistas em 2022, praticamente um por dia. Em 2020, a violência contra jornalistas cresceu 105,77%. Bolsonaro foi responsável por 147 casos sozinho (34,19% do total). A Abert registrou cerca de 900 mil ataques digitais à imprensa em 2025, média de quase 2,5 mil por dia.
2020 — Ato pró-intervenção militar, Brasília: Bolsonaristas agrediram jornalistas e fotógrafos durante manifestação. O fotógrafo Orlando Britto foi empurrado. Entidades acusaram Bolsonaro de incentivar as agressões, presentes e cientes do que acontecia.
2020 — Agressão a enfermeiros: Grupo bolsonarista agrediu enfermeiros em protesto. A Polícia indicou três pessoas.
2022 — Vandalismo na Praça dos Três Poderes: Bolsonaristas vandalizaram a Praça dos Três Poderes em Brasília. A PM fechou a área. Ordem de prisão expedida por Moraes.
2025 — Suspeito de atacar 18 ônibus em SP: Edson Aparecido Campolongo, motorista da CDHU, fez posts contra Lula e Moraes e dizia querer “mudar o país”. Atacou 18 ônibus em São Paulo.
2026 — Agressão a idoso em Copacabana: O militante do PT Mauro Figueiredo Rocha, de 69 anos, foi agredido e ouviu frases como “é Bolsonaro” durante o ataque.
2026 — Ameaça armada a Boulos: O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) foi ameaçado por um bolsonarista armado. As imagens do crime foram registradas por câmera de segurança.
2026 — Violência política contra mulheres: Mulheres sofreram 40% dos casos de violência eleitoral. A ameaça foi a forma mais frequente, incluindo registros de ameaça de estupro. A deputada Jack Rocha (PT-ES) acionou bolsonaristas na Justiça por ataque ao voto feminino.
2026 — Agressão por bolsonarista em MG: Renata Vieira, pré-candidata a deputada pelo PL com mais de 1 milhão de seguidores, foi filmada agredindo entregador de móveis.
2026 — Ataque a ônibus em São Bernardo: Bolsonaristas atacaram ônibus a caminho do ato do presidente Lula em São Bernardo do Campo. Não esperavam a reação dos apoiadores que estavam no local.
Dados gerais: Um estudo do Núcleo de Pesquisa em Instituições Políticas e Movimentos Sociais (NIPOMS) do Cebrap apontou 1.228 vítimas de violência política letal entre 2003 e 2023, com 760 mortes — média de 61,4 por ano. Seis em cada dez brasileiros afirmam ter medo de sofrer agressão física devido a posições políticas.
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