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BRB tenta sobreviver ao Master
BRB tenta sobreviver ao Master ao transferir ativos para um fundo com a Quadra Capital e reorganizar a operação. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
ECONOMIA

BRB tenta sobreviver ao Master com fundo e acordo

Banco público cria fundo com a Quadra Capital

Quase quebrado pela mal sucedida operação de socorro ao Banco Master, feita pelo governo bolsonarista de Ibaneis Rocha, o Banco de Brasília (BRB) fechou um acordo para transferir os ativos comprados do Master para um fundo de investimento que será criado em parceria com a Quadra Capital. A medida não resolve a situação do BRB. É uma tentativa de dar algum sentido ao emaranhado em que se tornou o balanço, que não é publicado há dois meses.

Na prática, o BRB decidiu tirar os ativos da estrutura original da compra e levá-los para um fundo específico. Isso significa que, em vez de manter tudo diretamente no balanço do banco público, a operação será separada em um veículo de investimento. A iniciativa tenta dar mais clareza e organização à transação, que vinha sendo acompanhada com dúvidas sobre sua execução.

Como a operação foi estruturada

O acordo foi informado pela própria instituição e altera o formato de gestão dos ativos comprados do Banco Master. Com a criação do fundo, o BRB passa a dividir a estrutura com a Quadra Capital, que entra como parceira na administração desse patrimônio.

Esse tipo de arranjo costuma ser usado para dar mais flexibilidade à gestão de ativos e facilitar a separação entre o que foi comprado e o que continua no balanço tradicional do banco. No caso do BRB, a mudança ajuda a redesenhar a operação de forma mais ordenada.

Por que isso importa

A transferência dos ativos para um fundo não é apenas um detalhe contábil. Ela mostra que a compra do Banco Master exigiu uma solução adicional para organizar o conjunto de bens envolvidos. Em operações desse tipo, a forma de estruturar o negócio pode ser tão importante quanto a compra em si.

O movimento também indica que o BRB procura reduzir ruídos e tornar a operação mais compreensível para o mercado e para o público. Como banco público, qualquer decisão desse tipo tem peso político e financeiro maior, porque envolve patrimônio estatal e exige maior transparência.

Quadra Capital

Para estruturar a criação do fundo de investimentos, o BRB assinou um memorando de entendimento com a Quadra Capital, com valor de referência de R$ 15 bilhões.

A Quadra Capital é uma gestora de fundos de investimento, especializada em ativos de baixa liquidez e com forte atuação em infraestrutura e logística. Nos últimos anos, investiu na aquisição de concessões portuárias no Espírito Santo e no Paraná.

Segundo o BRB, a operação será composta por uma parcela financeira à vista, de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Já a parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será realizada por meio de cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

A conclusão do negócio ainda vai depender do cumprimento das condições previstas em um memorando de entendimento.

Executivo preso

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

Costa é suspeito de ter descumprido práticas de governança e facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master. Ele também é suspeito do recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões, pagas por Vorcaro para facilitar a compra do Master pelo BRB, transação que foi vetada pelo Banco Central (BC).

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