Celulares de Vorcaro exigem apuração sobre Moraes

Banqueiro está em presídio federal sob segurança máxima

crimes de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro ao ser "interno" na cadeia pública em São Paulo. Foto: Secretaria da Administração Penitenciária

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do falido Banco Master, já está confinado na Penitenciária Federal de Brasília, enquanto a Polícia Federal (PF) avança na análise de seus aparelhos eletrônicos. Com a apreensão de mais três dispositivos durante sua prisão em São Paulo, os investigadores agora possuem oito celulares de Vorcaro. Apenas 30% do conteúdo de um único aparelho foi analisado até o momento, o que a PF classifica como uma “gota no oceano”. Os dados já extraídos, no entanto, são suficientes para exigir uma investigação ampla e transparente, especialmente sobre as supostas ligações do empresário com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Vorcaro foi transferido para a capital federal por determinação do ministro André Mendonça, visando garantir sua integridade física devido à sua “capacidade de influência”. Na unidade de segurança máxima, o banqueiro recebeu o “kit preso” — contendo itens básicos como sabonete, papel higiênico, roupas e chinelo — e permanecerá em uma cela de inclusão por 20 dias.

Enquanto isso, o conteúdo de suas mensagens movimenta a República, citando autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o recebeu e negou socorro ao Master, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro bolsonarista Ciro Nogueira, o governador bolsonarista Ibaneis Rocha, e o próprio Alexandre de Moraes.

A reportagem de O Globo e a necessidade de transparência

O STF tornou-se o centro da crise após a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelar que Moraes teria trocado mensagens de visualização única com Vorcaro. A reportagem cumpre um papel jornalístico fundamental ao trazer à luz indícios que não podem ser ignorados.

Em resposta, o STF afirmou que uma “análise técnica” concluiu que as mensagens não eram dirigidas ao ministro. Contudo, a falta de transparência sobre quem realizou essa perícia e como o material sigiloso chegou ao gabinete de Moraes gera desconfiança institucional e reforça a urgência de uma apuração independente sobre a conduta do magistrado.

Além do caso das mensagens, o gabinete de Moraes precisou vir a público neste domingo (8) para rebater outra informação da imprensa. Em nota oficial, o STF negou que o ministro tenha visitado a casa do banqueiro em Trancoso (BA), conforme publicado pelo blog de Lauro Jardim.

“O ministro jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino”, diz o comunicado, que classifica as afirmações como “premissas fáticas inexistentes”.

Defesa pede perícia independente

Diante do vazamento das conversas e da gravidade das acusações, a defesa de Vorcaro solicitou ao STF acesso completo aos elementos técnicos das perícias feitas nos aparelhos. O objetivo é que um assistente técnico realize uma análise independente dos dados brutos e laudos periciais para verificar a integridade das provas e garantir o respeito à cadeia de custódia.

O caso evidencia que a extração de dados dos celulares de Vorcaro está apenas no início. Com mais de 100 aparelhos relacionados à investigação sob custódia da PF e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS monitorando os desdobramentos, a sociedade exige que as apurações não poupem nenhuma autoridade, garantindo que as conexões expostas pelo jornalismo investigativo sejam esclarecidas com total rigor.

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