Banco Master enterra dois ministros na mesma lama

Com Moraes e Mendonça atolados, tem cheiro de conchavo no ar

corrupção no Banco Master
Mendonça (E) e Moraes entram no plenário para a sessão de hoje do Supremo Tribunal Federal. Foto: Antonio Augusto/STF

O Banco Master conseguiu o que nem a imaginação bolsonarista previu: enterrar dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma lama. De um lado, Alexandre de Moraes, cuja empresa da esposa embolsou até R$ 181 milhões em contratos com o banco de Daniel Vorcaro. Do outro, André Mendonça, o terrivelmente evangélico, igualmente abraçado ao corruptíssimo Daniel Vorcaro, que transformou a toga em escudo da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

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Moraes deve sair do Supremo

Se o rigor máximo for aplicado, não há como sustentar a permanência de quem teve a família abastecida pelo banco que o próprio tribunal investiga. A relação com Vorcaro, escancarada em mensagens, incluiu encontro secreto e um “evento super exclusivo em Londres”. Moraes trocou de celular e número durante a apuração. Quem não tem o que esconder não apaga rastros.

Mendonça é o outro lado da mesma moeda

No mínimo, deve se declarar impedido, se afastar do caso e ser responsabilizado. A parcialidade é escancarada: em uma semana, acelerou três inquéritos contra Lulinha, filho do presidente; retirou o sigilo sobre a parte que envolve Moraes na investigação do Caso Master; e o caso Dark Horse, que envolve Flávio, segue dormindo sob sigilo. O mesmo relator que caça o filho do presidente e o ministro odiado pelo bolsonarismo protege o filho do ex-presidente.

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O conchavo vem aí

O mais provável, porém, é o velho e bom conchavo. Sob a moderação do presidente do Supremo, Edson Fachin, que promete “medidas cabíveis e necessárias”, a tendência é não avançar nem no impeachment ou na renúncia de Moraes, nem no afastamento de Mendonça. A máquina institucional corre para se proteger.

A Procuradoria-Geral da República já pediu a nulidade da investigação contra Moraes, afirmando que Mendonça não poderia ter ordenado à Polícia Federal que investigasse pessoas específicas. Ou seja: o próprio sistema tenta apagar o incêndio que ele mesmo acendeu.

Que os dois paguem

A Frente Livre não pode deixar. Que os dois paguem pelos seus erros, para que o Brasil siga em frente. Que Xandão arque com as consequências da relação que manteve com Vorcaro. Que Mendonça arque com as consequências da relação que manteve com Vorcaro e da parcialidade da sua atuação. A justiça não pode ser seletiva. O conchavo é a morte da democracia — e nós não vamos assinar o atestado.