O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o maior volume de crédito agrícola da história do Brasil para a safra 2026/2027. Somando as linhas voltadas ao agronegócio empresarial e à agricultura familiar, serão injetados impressionantes R$ 622,4 bilhões para financiar a produção no campo. Os números superlativos demonstram o empenho inédito do Estado em garantir liquidez para o setor produtivo.
O Plano Safra empresarial contará com a fatia principal de R$ 525,1 bilhões. É uma montanha de recursos disponibilizada para o setor que, ironicamente, vive reclamando da intervenção do Estado na economia — sobretudo para fazer cumprir as leis ambientais. O volume recorde escancara a realidade: o governo federal é o verdadeiro fiador da balança comercial do país. Sem esse colchão de crédito, o latifúndio exportador simplesmente não operaria na escala atual.
O motor da segurança alimentar
Mas o destaque político e social que merece ser celebrado é o salto histórico no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Serão R$ 97,3 bilhões destinados exclusivamente aos pequenos produtores. É a agricultura familiar que efetivamente coloca comida na mesa do brasileiro, controlando a inflação dos alimentos e garantindo a segurança alimentar.

Histórico do Plano Safra da Agricultura Familiar desde 2022. Fonte: MDA
Enquanto o agronegócio empresarial foca em exportar commodities como soja e milho para o mercado asiático, é o pequeno agricultor quem planta o feijão, a mandioca, as hortaliças e cria os animais que abastecem o mercado interno. O aumento substancial do crédito para esse setor corrige uma distorção histórica e fortalece quem realmente alimenta o país.
A hipocrisia do mercado

Arte: FLIA
Os números colossais provam que o Estado é o motor indispensável do agronegócio no Brasil. Sem a estrutura de crédito e os juros subsidiados oferecidos pelo Plano Safra, o propalado agro pop não se sustentaria de pé por uma única colheita. O governo faz a sua parte ao irrigar a produção com mais de meio trilhão de reais, assumindo os riscos e garantindo a estabilidade do setor.
Resta saber se o setor empresarial, frequentemente alinhado à extrema direita e hostil às políticas de distribuição de renda de Lula, terá a decência de reconhecer quem assina o cheque que financia seus lucros bilionários. A retórica do Estado mínimo só dura até a hora de acessar a fila do crédito subsidiado nos bancos públicos.





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