O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, decidiu negociar um acordo de delação premiada após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter sua prisão preventiva. A iminência da colaboração acende um alerta máximo na capital federal, uma vez que as investigações da Polícia Federal (PF) já rastrearam R$ 24 milhões em pagamentos a “Sicário”, uma espécie de miliciano, operador de serviços ilícitos, e expuseram laços financeiros milionários do banco com familiares de ministros da própria Corte.
A mudança de rota na defesa ficou evidente com a substituição de advogados. Pierpaolo Bottini deixou o caso por discordar da estratégia de colaboração, abrindo espaço para José Luis Oliveira Lima, criminalista conhecido por conduzir acordos de delação. O objetivo de Vorcaro é usar o vasto material que possui para atenuar sua pena diante do cerco fechado pelas autoridades.
O trunfo do banqueiro envolve detalhes de uma operação criminosa paralela. A PF descobriu que Vorcaro pagou R$ 24 milhões a Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, para executar invasões de sistemas, ameaçar adversários e monitorar mandados de prisão na Interpol e no FBI. Mourão, que atuava como braço armado do esquema, cometeu suicídio ao ser preso no início de março enquanto estava sob custódia da PF em Belo Horizonte.
Conexões no STF e devassa no Congresso
O potencial destrutivo da delação atinge diretamente o Judiciário. As apurações revelaram que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, manteve um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master para serviços de compliance.
Além disso, a cunhada do magistrado, Ana Claudia Consani de Moraes, foi a autora do Código de Ética da instituição. O cenário de conflito de interesses já levou o ministro Dias Toffoli a se declarar suspeito em dois processos do caso.
No Legislativo, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS redirecionou seu foco para o escândalo. Os parlamentares aprovaram a convocação do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e da ex-noiva do banqueiro, Martha Graeff. A comissão analisa agora mais de 400 gigabytes de dados extraídos dos celulares apreendidos, material que está sendo periciado em uma sala-cofre no Senado.
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