A Polícia Federal prendeu em flagrante quatro homens no Recife após a apreensão de R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo retirados de uma agência bancária no centro da capital pernambucana. Entre os detidos está um assessor do deputado federal Vinicius Carvalho (PL-SP), que, segundo a investigação, fazia a segurança do grupo no momento da abordagem.
A operação ocorreu na sexta-feira (20), depois do saque de exatos R$ 2.733.000,00. A PF informou que um dos suspeitos retirou o valor e faria a entrega aos outros três envolvidos. Os presos chegaram ao Recife em um jato particular. Presos, foram levados à sede da corporação, onde acabaram autuados por lavagem de capitais. A investigação continua para apurar a origem dos recursos.
Dinheiro vivo e blindagem política
O caso não pode ser lido como episódio isolado. Ele se soma a uma prática recorrente no bolsonarismo: o uso de dinheiro vivo para operações de grande porte, em contraste com a moralidade de fachada que o grupo tenta vender publicamente. Bolsonaro comprou 51 imóveis usando dinheiro vivo entre 1990 e 2018. Na época, sua ocupação era cumprir mandatos de deputado federal. Movimentou R$ 13,5 milhões em notas de reais.
Outro caso emblemático foi o do deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL e mão política do pastor Silas Malafaia. Numa operação sobre corrupção na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal flagrou em dezembro do ano passado R$ 469,7 mil em notas de cem reais guardados numa sacola no apartamento do parlamentar. Ele levou muitos dias para tentar explicar de onde veio o dinheiro. Até hoje não conseguiu convencer a licitude.
Quando esse padrão aparece de novo em torno de um assessor de parlamentar do PL, o que se vê é uma cultura política que naturaliza o caixa paralelo, a opacidade e a blindagem de aliados.
O caso e a engrenagem bolsonarista
Vinicius Rapozo de Carvalho, deputado federal por São Paulo, deixou o Republicanos e ingressou no PL em março, junto da ala evangélica e bolsonarista. Ele já foi relator de mudanças no sistema de proteção social das Forças Armadas e apareceu entre os parlamentares que mais gastaram com viagens em 2024.

Vinicius Rapozo de Carvalho (PL-SP): assessor fazia a segurança do grupo. Foto: Câmara dos Deputados
A apreensão no Recife expõe mais do que um possível crime financeiro. Ela escancara a engrenagem de poder que cerca o bolsonarismo, onde dinheiro vivo, jato particular, assessor armado e suspeita de lavagem aparecem no mesmo quadro. É o retrato de um campo político que opera com ares de moralismo, mas deixa um rastro de espécie, favorecimento e opacidade.
A PF ainda não divulgou os nomes dos presos nem detalhou a relação entre eles. Mas o que já se sabe é suficiente para recolocar o debate no seu lugar: não se trata apenas de um caso policial, e sim de um padrão político que volta e meia reaparece no entorno do bolsonarismo.






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