O senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, subiu ao palco da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (22) e vomitou um festival de contradições e absurdos. Diante de empresários que deveriam defender a soberania industrial do país, Flávio, chamado de TariFlávio desde que foi aos EUA pedir sanções contra o Brasil e, assim, atuar diretamente contra os interesses nacionais, fez um discurso em que atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), prometeu combater facções que seu próprio pai ignorou por quatro anos e citou o presidente argentino Javier Milei, que é uma espécie de sabujo de Donald Trump, como exemplo de relação internacional.
Veja o rosário desfiado pelo filho do ex-presidente golpista condenado.
1. STF é delegacia de polícia? A primeira pérola foi comparar o Supremo a uma delegacia. “O Supremo hoje parece mais uma delegacia de polícia, não uma corte constitucional. A todo momento, um ou outro naquela corte quer interferir no processo eleitoral”, afirmou. A ironia é que a família Bolsonaro é campeã de investigações. O próprio Flávio foi alvo do Ministério Público do Rio nas rachadinhas. Se o STF é delegacia, seu gabinete virou inquérito.
2. Combate ao crime que nunca existiu. Flávio prometeu classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e criar 500 mil vagas em presídios. Soa bonito para quem esquece os quatro anos de Jair Bolsonaro na Presidência. Não houve uma única ação federal coordenada para combater essas mesmas facções. O governo que culpava a esquerda pela violência não prendeu um líder do PCC com recurso federal. Isso sem contar nas relações carnais do próprio Flávio Bolsonaro com Rodrigo Bacellar e TH Joias, dois de seus braços políticos no RJ, presos e afastados dos cargos por envolvimento com o Comando Vermelho.
3. Milei, o exemplo da servidão. A terceira e mais explícita foi citar o argentino Javier Milei como modelo de relação “de igual para igual” com os Estados Unidos. Milei entregou a Argentina de bandeja ao Fundo Monetário Internacional e aos interesses de Washington, exatamente o oposto. Flávio prometeu postura “pragmática”, o que significa repetir a servidão histórica aos interesses estadunidenses — a quem, inclusive, já prometeu entregar as terras raras brasileiras.
4. Tesouraço para desproteger o trabalhador. O senador também prometeu um “tesouraço” em regulações do governo federal, privatizar estatais e rever a reforma tributária. A mesma receita neoliberal que aprofunda a desigualdade e entrega o patrimônio público ao capital estrangeiro.
5. Silêncio absoluto sobre Vorcaro e o Banco Master. Como se desgraça pouca fosse bobagem, o pré-candidato “esqueceu” que integra a primeira prateleira do bilionário escândalo do Banco Master. Que foi vergonhosamente flagrado pedindo dinheiro ao ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, a quem trata como “irmãozão”.
Os bovinos da CNI
E os empresários da CNI? Lá estavam, bovinamente assentados, aplaudindo o candidato que prometeu um “tesouraço” em regulações e privatizar estatais estratégicas. A mesma CNI que assistiu calada a um governo Bolsonaro que nunca teve projeto industrial, que trabalhou para dificultar exportações brasileiras e prometeu entregar o país a Donald Trump sem exigir nada em troca.
O desempenho de Flávio na CNI é um retrato do bolsonarismo: muito barulho por nada, promessa de combater o crime que nunca combateram e uma plateia que aplaude o próprio velório.





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