Agora é a vez de o povo americano votar

O homem que ameaçou o Brasil agora tem medo do próprio eleitor

Por Frente Livre
eleições nos EUA
Trump chega às eleições do meio de mandato com a pior avaliação de sua história. Foto: Casa Branca

Os Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, que renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 do Senado. O resultado definirá o controle do Congresso nos dois últimos anos do governo de Donald Trump — e pode redesenhar a ofensiva americana contra o Brasil. Os republicanos têm hoje 218 deputados contra 214 democratas na Câmara, e 53 das 100 cadeiras no Senado. Os democratas precisam de um ganho líquido de quatro assentos.

 

eleições nos EUA O ex-presidente Barack Obama vem participando ativamente dos eventos de campanha do Partido Democrata. Foto: Divulgação Barack Obama

O tamanho do desgaste

A pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro mostra 47% dos eleitores registrados dispostos a votar nos democratas, contra 36% nos republicanos. A aprovação de Trump está em 32%, perto do pior patamar dos dois mandatos.

O motivo principal é o bolso. Na mesma pesquisa, 73% dos entrevistados avaliaram que o custo de vida caminha na direção errada. O modelo do The Economist projetava 239 cadeiras democratas contra 196 republicanas.

Se os democratas conseguirem uma maioria nas duas casas, será um golpe duro para Trump e para o MAGA”, afirmou Zoe Alexandra, diretora de notícias do BreakThrough News, ao Brasil de Fato.

O voto que Trump perdeu

O eleitorado latino virou contra o presidente fascista dos EUA. Levantamento citado pelo The New York Times projeta 61% de apoio latino aos democratas e 31% aos republicanos. Em 2024, Trump teve 44% dos votos latinos.

“Há uma probabilidade muito alta de impactar nas urnas”, disse o cientista político Maurício Santoro. Ele aponta dois motivos: a política migratória e o custo de vida.

O medo também afasta eleitores. A Human Rights Watch pediu zonas livres de operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) no período eleitoral. Em pesquisa de setembro, 40% dos entrevistados esperavam alguma presença do ICE nos locais de votação.

O que muda para o Brasil

Uma maioria democrata em qualquer uma das casas ampliaria a fiscalização sobre as medidas de Trump contra o Brasil — tarifas, sanções e a interferência nas disputas políticas brasileiras.

O Itamaraty avalia, nos bastidores, que essa maioria poderá favorecer o país, sobretudo na relação com as grandes plataformas digitais e nas negociações ambientais. É avaliação, não garantia.

Trump mantém o poder de veto. Derrubá-lo exige dois terços nas duas casas. E ele ainda pode recorrer às Seções 232 e 301 da lei comercial americana para aplicar tarifas sem o Congresso.

O Brasil não espera favor de Washington. A reeleição de Lula já mudou o jogo: o país que resistiu ao tarifaço de 2025 agora observa o império tropeçar em casa.

Canal no whatsapp

Receba notícias da Frente Livre direto no celular.
Seguir