O senador fascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou a conversão mais rápida da política brasileira: pressionado pelos vídeos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando posição e pelo medo de perder voto de trabalhador (veja abaixo), o candidato anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1. O mesmo Flávio que chamou a pauta de oportunismo eleitoral agora se diz do lado de quem trabalha. A máscara, porém, caiu minutos depois.
A conversão de ocasião
“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor”, afirmou Flávio, logo após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por condenação por tentativa de golpe de Estado. A mudança acontece um dia antes da votação em primeiro turno, marcada para quarta-feira (14) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Até ontem, o candidato evitava revelar o voto enquanto aliados do PL tentavam adiar a análise.
A PEC 221/2019 reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem cortar salário, e garante dois dias de descanso remunerado: 60 dias após a promulgação, as empresas adotam a escala 5×2 com 42 horas; depois de mais 12 meses, a jornada cai para 40. Pesquisa Quaest apontou que sete em cada dez brasileiros apoiam a medida. Diante disso, o “defensor do trabalhador” decidiu abraçar a causa — por cálculo, não por convicção.
O plano que ele esconde
A farsa está na frase seguinte. “Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação”, declarou, exigindo que o povo pague a conta da própria mudança que ele passou a defender. E o verdadeiro projeto da extrema direita segue guardado no bolso: a PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha de Flávio, prevê pagamento por hora trabalhada, com férias e 13º proporcionais.
Especialistas não têm dúvida do tamanho do estrago. Para o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Cássio Casagrande, “você vai receber efetivamente só pelas horas trabalhadas, sem a repercussão no domingo”. E completa:
“Você não tem garantia de que vai receber o salário mínimo mensal. É uma precarização”.
A desembargadora Sayonara Grillo Coutinho, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, afirma que a proposta “suprime direitos fundamentais previstos na origem da própria Constituição”.
O recuo de Flávio é a imagem do oportunismo: ele troca de lado quantas vezes forem necessárias para não perder uma migalha de voto. Mas o projeto que carrega no bolso é o mesmo de sempre — flexibilizar até o fim, pagar menos e culpar o governo. Em 25 de outubro, o trabalhador decide se quer a PEC que reduz a jornada ou a PEC que reduz o salário.

