Chamava Flávio de ladrão dias atrás; agora o apoia

A base do "combate à corrupção" é um governador suspeito de roubo de dinheiro público

Por Frente Livre
Flávio Bolsonaro segundo turno
Ronaldo Caiado, para quem Flávio Bolsonaro é um "ladrão", agora vai apoá-lo contra a "corrupção". Foto: RS/Fotos Públicas

O senador Flávio Bolsonaro (PL) abriu conversas com ex-rivais, partidos do Centrão e governadores para ampliar sua rede de apoios no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro. A articulação, porém, escancara a hipocrisia do discurso de “combate à corrupção”: a máquina eleitoral que ele monta é a mesma que abriga um governador eleito, o do Rio de Janeiro, sob investigação por peculato e lavagem de dinheiro.

O “ladrão” que apoia o “ladrão”

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) deve anunciar nesta terça-feira (6) apoio a Flávio, a quem chamou de ladrão durante a campanha. “Tanto faz roubar com a mão esquerda ou a direita: [quem rouba] é ladrão”, afirmou o então candidato do PSD. Caiado terminou o primeiro turno em quinto lugar, com 2,6 milhões de votos, 2,18% dos válidos. Para justificar a virada, dirá que sempre se opôs ao PT e que não ficaria “em cima do muro”.

Romeu Zema (Novo), outro derrotado, já declarou voto em Flávio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito com 62,65%, é tratado como peça-chave no maior colégio eleitoral do país. Em Minas Gerais, a campanha conta com Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Nikolas Ferreira (PL).

O coordenador sob investigação

No Rio de Janeiro, a mobilização de Flávio será coordenada por Douglas Ruas (PL), virtual governador do estado. Mas o Ministério Público do Rio abriu investigação contra ele por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, delitos licitatórios e organização criminosa, sob segredo de Justiça.

Os promotores apuram o crescimento patrimonial de empresas ligadas a Ruas, entre elas a Saur Construção e a DM Invest. Uma auditoria identificou contratos que somam R$ 702 milhões com consórcios liderados pela FP Vieira Engenharia. A Saur, registrada em nome de Ruas e de seu pai, Capitão Nelson, movimentou mais de R$ 12 milhões em imóveis entre 2023 e 2025.

Ruas nega: “Os fatos mencionados foram entregues ao MP depois que eu fui anunciado como pré-candidato a governador, e eu confio no trabalho do MP”. E aposta no arquivamento: “Em breve será arquivado porque vai se chegar à conclusão de que se trata de mentiras e ataques da velha política a minha candidatura a governador”. É mais ou menos como o próprio Flávio Bolsonaro responde pelas várias suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa que pesam sobre ele.

A coalizão da hipocrisia

A direita constrói sua candidatura sobre a promessa de combater a corrupção. Mas reúne quem chamou o próprio candidato de ladrão e entrega a coordenação de uma campanha a um investigado por desvio de dinheiro público. Não há projeto de país nessa aliança. Há apenas a união do poder econômico e do Centrão contra o trabalhador. O eleitor que acreditar no discurso de moralidade estará votando naquilo que a direita diz combater.

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