Master derruba chapa Ibaneis-Michelle-Celina

Direita abandona governador; Arruda cresce e Celina fica isolada e inelegível

Ibaneis Rocha isolado eleições DF
Ibaneis Rocha com Michele Bolsonaro na inauguração da escola para surdos em Brasília, em fevereiro de 2025. Foto: Renato Alves/Agência Brasília

O escândalo do Banco Master não quebrou apenas o caixa do BRB; ele implodiu a aliança política que governava o Distrito Federal, tornou o governador Ibaneis Rocha (MDB) um isolado e embolou completamente o cenário para as eleições de outubro. O que era para ser um passeio de uma grande coalizão de direita se transformou em uma “guerra de todos contra todos”.

O plano original era ambicioso: Ibaneis sairia para o Senado na mesma chapa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), elegendo a vice Celina Leão (PP) como sucessora. Tudo ruiu. Com o governador atolado nas investigações sobre o rombo bilionário no banco estatal, seus aliados pularam do barco.

Fogo Amigo: Renan rifa Ibaneis

O sinal mais claro de que Ibaneis se tornou “tóxico” veio de dentro de sua própria casa. O líder do MDB no Senado, Renan Calheiros, não esperou a instalação de uma CPI. Usando a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan criou um grupo de trabalho para investigar o Banco Master.

Na prática, o MDB nacional rifou Ibaneis. A investigação parlamentar, conduzida por correligionários, expõe o governador ao desgaste diário, inviabilizando sua candidatura ao Senado.

A Traição do PL e o Fator Bia Kicis

Sentindo o cheiro de queimado, o PL de Jair Bolsonaro abandonou o governador que apoiou (e integrou o governo!) por sete anos. A ordem agora é chapa pura. O partido articula lançar Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para as duas vagas ao Senado. Falam internamente em lançar uma candidatura ao Buriti saída diretamente do núcleo evangélico do grupo, como o deputado Fred Linhares (Republicanos), apresentador da TV Record.

Bia Kicis, aliás, repete seu modus operandi. Conhecida por movimentos de traição política, foi ela quem, em 2022, articulou a candidatura avulsa de Damares Alves, implodindo a favorita Flávia Arruda — a quem a extrema direita havia prometido apoio. Agora, a vítima é Ibaneis.

Celina Sozinha e Arruda Ressuscitado

A implosão da aliança deixou a vice-governadora Celina Leão vendida. Sem o apoio da máquina do MDB e traída pelo bolsonarismo, ela enfrenta um obstáculo ainda maior: está inelegível devido às condenações no caso Dracon.

Nesse vácuo de poder, quem emerge é o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). Beneficiado pelas mudanças na Lei da Ficha Limpa, Arruda voltou a ser elegível e já se movimenta para capturar o eleitorado órfão da direita. Pesquisas internas indicam que ele é o nome natural para herdar os votos que antes iriam para a chapa governista.

O Desespero do MDB

Sem Ibaneis no páreo e sem Celina, o MDB local tenta uma manobra desesperada: lançar o deputado federal Rafael Prudente ao governo. Contudo, sem a força da coalizão e com o desgaste do Caso Master colado à imagem do partido no DF, a candidatura nasce enfraquecida.

O resumo da ópera é brutal: Ibaneis Rocha, que sonhava em sair do Buriti consagrado e eleito senador, termina o mandato isolado, investigado por aliados e assistindo seus ex-parceiros dividirem seu espólio político.


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