Governo de Israel usou Bolsonaro para atacar Lula

Chikli admite que redes sociais de Flávio foram usadas pelos sionistas

interferência estrangeira no Brasil
Ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, admite trabalho coordenado com os Bolsonaros nas redes sociais para difamar o presidente Lula. Imagem: Reprodução Redes Sociais

A confissão é do tamanho do escândalo. O ministro de Assuntos da Diáspora de Israel, Amichai Chikli, admitiu que o governo israelense articulou com Eduardo Bolsonaro uma campanha de influência no Brasil para defender um soldado acusado de crimes de guerra e atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração, divulgada neste domingo (24), expõe a família Bolsonaro no papel que sempre desempenhou: balcão de negócios de potências estrangeiras contra o próprio país.

“Recorremos aos nossos amigos no Brasil, a Eduardo Bolsonaro, filho de Jair, o ex-presidente, e irmão de Flávio, que agora concorre à Presidência”, afirmou Chikli. O ministro contou que sua pasta entregou a Eduardo, já traduzido para o português, material produzido contra a Fundação Hind Rajab, organização que busca responsabilizar judicialmente militares israelenses envolvidos no genocídio na Faixa de Gaza.

“Ele impulsiona isso em suas redes e também na CNN Brasil. Criamos uma campanha inteira contra a Fundação Hind Rajab no Brasil por meio dos nossos amigos”, relatou. Chikli ainda admitiu que a operação tinha objetivo político dirigido contra o governo brasileiro: “Todas essas acusações [contra o soldado genocida em férias no Brasil] e toda essa tentativa são esvaziadas, e constrangemos Lula como apoiador do Hezbollah”.

Carta do dia

Receba as notícias da frente livre de graá no seu e-mail
Inscrever

O soldado que fugiu antes de ser ouvido

A campanha foi desencadeada em janeiro de 2025, depois que a Justiça Federal determinou que a Polícia Federal investigasse o soldado israelense Yuval Vagdani, que passava férias no Brasil. A decisão partiu de representação da Fundação Hind Rajab, que apresentou imagens, vídeos e dados de geolocalização indicando a participação de Vagdani na destruição de um conjunto residencial em Gaza.

A ordem judicial não determinava a prisão do militar, apenas a abertura de investigação. Mesmo assim, Vagdani deixou o Brasil antes de ser interrogado, em operação acompanhada pelo governo israelense, que confirmou ter ajudado o soldado e a família a sair do país de forma “rápida e segura”.

Chikli procurou Eduardo durante o episódio e enviou o material contra a Fundação Hind Rajab. Em carta divulgada pelo então deputado, o ministro atribuiu a apuração ao governo Lula e acusou o Brasil de promover “perseguição contra israelenses”. Eduardo levou a versão israelense às redes sociais e à imprensa e, depois, afirmou ter ajudado a encerrar o caso contra Vagdani.

Canal no whatsapp

Receba notícias da Frente Livre direto no celular.
Seguir

Interferência estrangeira a céu aberto

A confissão de Chikli tem data e contexto incômodos para o clã Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, é o adversário de Lula na disputa pela Presidência. O governo de Benjamin Netanyahu aciona a família Bolsonaro para atuar politicamente no Brasil e atacar o presidente no meio da campanha eleitoral. É interferência estrangeira em eleições brasileiras, confessada por um ministro, com nome, cargo e sobrenome.

Enquanto a direita tenta vender a narrativa da conspiração, a realidade é documental: um ministro de Israel diz, em letra aberta, que usou Eduardo Bolsonaro para pautar redes e imprensa, blindar um soldado acusado de crimes de guerra e constranger o presidente brasileiro como “apoiador do Hezbollah”. A operação tinha material traduzido, impulsionamento com estrutura estrangeira e um deputado brasileiro como operador.

A pergunta que a campanha de Flávio precisa responder é direta: se a família Bolsonaro presta serviços a Israel no Brasil, que outros serviços presta a outras potências, e quem paga por eles? O entreguismo da soberania nacional, que a Frente Livre denuncia há anos, ganhou agora uma confissão ministerial. A pátria, para o clã Bolsonaro, virou balcão, e o povo brasileiro ficou como troco da negociação.

👀 Veja o vídeo