Apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilharam um jingle contra o senador e candidato neofascista ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) em aplicativos de mensagem. O vídeo foi publicado no perfil “Lulaverso” no Instagram, nesta terça-feira (25), em colaboração com Camila Moreno, secretária nacional adjunta de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT).
A canção de 50 segundos não perdoa nada. Menciona o pedido de R$ 134 milhões que Flávio fez ao banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, do Banco Master, para alegadamente financiar o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o “Dark Horse”. Também cita a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, o esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio, a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e a situação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O ‘hit do ano’ que a direita não vai cantar
O jingle se inspira em uma gravação de dez anos atrás. O original foi criado em 2016 com críticas a Osmar Vieira, conhecido como “Osmarzinho”, à época candidato à Prefeitura de Cocal dos Alves (PI). Agora, a fórmula ganhou novo alvo, e o alvo tem nome, sobrenome e um histórico que não para de render versos.
A música foi publicada no grupo de WhatsApp chamado “Lulaverso”, criado para a campanha do petista em 2022 e que hoje se estendeu para o X, TikTok, Instagram e Telegram. O canal segue ativo e conta com diversos grupos de envio de figurinhas, materiais de campanha, debates sobre o fim da escala 6 X 1 e combate a fake news envolvendo Lula.
A mensagem que acompanha o áudio convida apoiadores a compartilhar: “Já escutaram o novo hit do ano? Compartilhem pra tocar em todas as caixas de som do Brasil!”, diz o texto enviado junto ao arquivo.
A letra que o candidato não quer ouvir
O que diz a letra do jingle: “Quem pediu pro Daniel Vorcaro R$ 61 milhões pra fazer o filme do pai? Foi o Flávio Bolsonaro!” “Quem teve vários depósitos em dinheiro na loja de chocolate? Foi o Flávio Bolsonaro!” “Quem está fugido nos Estados Unidos porque se voltar para o Brasil pode ser preso? É o Eduardo, irmão do Flávio!” “Quem comprou uma mansão de R$ 6 milhões sem dizer de onde veio o dinheiro? Foi o Flávio Bolsonaro!” “Quem está preso por tentativa de dar um golpe de Estado no Brasil? É o Jair, pai do Flávio!” “Quem é acusado de comandar o esquema de rachadinha no gabinete do Flávio? É o Queiroz, amigo do Flávio!” “Quem homenageou o miliciano Adriano da Nóbrega com uma medalha? Foi o Flávio Bolsonaro!” “Quem comprou pelo menos 50.000 imóveis em dinheiro vivo? Foi a família Bolsonaro!”
A ironia é que o candidato que foge das perguntas dos jornalistas agora virou refrão nas caixas de som do país.
O esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio, mencionado na canção, foi revelado em 2018. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou decisões sobre o caso envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz e Flávio, desconsiderando provas obtidas por meio da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados. A letra, porém, não depende de tribunal para fazer eco: ela apenas canta o que já é de conhecimento público.
Enquanto a família Bolsonaro tenta vender a narrativa de perseguição, o povo responde com o que tem de mais democrático: o riso e a música. O “hit do ano” do Lulaverso é a prova de que a criatividade popular é mais afiada do que qualquer assessoria de imprensa. Flávio pode até fugir das perguntas, mas não vai fugir do refrão.
👀 Veja o clipe do jingle
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