Uma decisão liminar da Justiça do Distrito Federal proferida nesta segunda-feira (16) suspendeu o plano do governador Ibaneis Rocha (MDB) de transferir terrenos públicos e ativos de estatais para cobrir o rombo financeiro do Banco de Brasília (BRB). A derrota judicial agrava a crise do mandatário bolsonarista, que foi recentemente abandonado pelo Partido Liberal (PL) na disputa ao Senado e desmentido por documentos que provam seu envolvimento pessoal no escândalo do Banco Master.
A decisão do juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni, da 2ª Vara da Fazenda Pública do DF, atende a uma ação popular e suspende os efeitos da lei distrital nº 7.845/2026. A norma, sancionada por Ibaneis, autorizava a entrega de áreas de alto valor imobiliário — como a Serrinha do Paranoá e terrenos da Novacap, CEB e Caesb — para capitalizar o BRB. O magistrado apontou que a medida não tem base jurídica e inverte a lógica de governança, transferindo patrimônio público sem transparência sobre o tamanho real do prejuízo assumido pelo banco nas negociações de títulos sem lastro do liquidado Banco Master.
Mentira documentada e isolamento político
A tentativa frustrada de socializar os prejuízos do BRB ocorre no momento de maior fragilidade política de Ibaneis Rocha. Na última semana, a revelação de um contrato assinado em 2019 provou que o governador mentiu ao afirmar que estava afastado de seu escritório de advocacia. O documento mostra que ele atuou pessoalmente como avalista em um negócio de R$ 4,4 milhões com a corretora Planner e a empresa Banvox, peças centrais na engrenagem que injetou bilhões no Banco Master durante o governo de Jair Bolsonaro.
Com a credibilidade em xeque e o avanço das investigações, o governador viu sua base de apoio ruir. O PL rompeu publicamente com Ibaneis, isolando o emedebista e implodindo seus planos de concorrer ao Senado nas próximas eleições. Agora, além de lidar com o cerco da Polícia Federal (PF) aos negócios de sua família, o mandatário terá que explicar ao Banco Central e ao Supremo Tribunal Federal (STF) — que receberão cópias da liminar — a tentativa de usar o patrimônio dos brasilienses para salvar um banco afundado em fraudes.






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