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Justiça manda prender Luan
Carla Zambelli meteu o revólver na cara de Luan e o perseguiu pelas ruas. Ele escreveu um artigo afrmando que ela é da extrema direita e foi mandado para prisão. Fotos: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Vítima de Zambelli vai presa: o crime é sobreviver

Juiz ignora perseguição armada e pune jornalista por texto

A Justiça de São Paulo acaba de escrever mais um capítulo da sua antologia de absurdos. O juiz José Fernando Steinberg determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, o mesmo que foi perseguido por Carla Zambelli de pistola em punho na véspera das eleições de 2022. O motivo da ordem de prisão? Luan não pagou uma multa de R$ 2.216,30 em um processo de difamação movido pela ex-deputada. No Brasil do Congresso Inimigo do Povo, quem aponta a arma para um cidadão negro no meio da rua ganha imunidade e tempo para fugir, enquanto a vítima que ousa criticar o agressor é tratada como criminosa.

A condenação de Luan refere-se a um artigo de opinião onde ele descreveu a perseguição que sofreu — um fato filmado e testemunhado pelo mundo inteiro. Para o Judiciário paulista, no entanto, as palavras do jornalista pesam mais que o chumbo da pistola de Zambelli. Ao converter a pena restritiva de direitos em prisão, o Estado brasileiro envia um recado nítido: a “honra” de uma bolsonarista radical vale mais que a liberdade e a vida de um homem preto.
O crime cometido por Luan contra a honra da foragida foi ter escrito um artigo em que se refere a ela como parlamentar da “extrema-direita mesquinha, maldosa e mercadora da morte”.

A inversão de valores e a perseguição institucional

Enquanto Luan Araújo enfrenta o cerco judicial, Carla Zambelli segue colecionando episódios de impunidade. Mesmo após ter sido presa na Itália e enfrentar o processo de extradição, ela foi solta duas semanas atrás e vive na Europa foragida da Justiça brasileira, onde está condenada a dez anos de cadeia.

A defesa de Luan já entrou com um pedido de habeas corpus, denunciando a desproporcionalidade da medida, mas o estrago simbólico está feito. É a “Justiça” atuando como braço armado do revanchismo da extrema direita.

O caso é o retrato fiel da seletividade penal brasileira. Luan, que faz vaquinha na internet para tentar pagar indenizações e custear processos, é asfixiado financeiramente e agora ameaçado de cárcere. Zambelli, que usou o mandato para constranger ilegalmente um cidadão, continua sendo a protegida de um sistema que se recusa a punir o fascismo de forma exemplar.

O silenciamento da imprensa e a resistência de Luan

A ordem de prisão contra Luan Araújo é também um ataque direto à liberdade de expressão e ao exercício do jornalismo. Ao criminalizar a narrativa da vítima, o Judiciário tenta apagar a memória do que foi o terrorismo político nas eleições de 2022. Luan tornou-se um símbolo de resistência, mas o preço dessa resistência tem sido a falta de oportunidades profissionais e o assédio judicial constante.

A Frente Livre se solidariza com Luan Araújo e denuncia essa manobra que tenta transformar o agredido em agressor. Não é apenas sobre R$ 2,2 mil; é sobre quem tem o direito de falar e quem tem o dever de se calar diante de um cano de revólver.

Se a justiça fosse cega, Zambelli estaria pagando por cada passo que deu com aquela arma em punho. Como a justiça brasileira tem olhos bem abertos para a cor da pele e a conta bancária, o alvo continua sendo o mesmo de outubro de 2022.

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