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Lula fala com Trump e EUA reabrem negociação sobre tarifas

Presidente discursa em MG e acerta retomada comercial com os EUA

Lula defende soberania
Presidente Lula e o vice Geraldo Alckimim fazem comício em Belo Horizonte ao lado do candidato ao governo de Minas, Patrus Ananias. Foto: RS/Fotos Publicas

Milhares de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e do candidato petista ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias, ocuparam a Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, nesta sexta-feira (21), para o lançamento das campanhas dos dois políticos no estado. O ato reuniu militantes, movimentos populares, lideranças políticas e uma forte presença da juventude.

Lula, que foi o último a discursar, começou sua fala fazendo referência à história da Praça da Estação, recordando vitórias e derrotas políticas vividas naquele espaço. “Eu não sou mineiro, mas tem poucos mineiros que conhecem Minas Gerais como eu conheço”, afirmou. Ao falar sobre seu projeto político, o presidente afirmou que ainda há uma missão a cumprir: “Ainda não terminamos a nossa missão”.

Do palanque ao telefone com Trump

No mesmo dia, a missão de Lula atravessou o Atlântico. O presidente telefonou para Donald Trump na manhã desta sexta-feira (21), em conversa que durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial. Lula defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo estadunidense para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado. Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países. Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

O resultado é concreto: o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países. O Mdic confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, depois da conversa telefônica.

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Soberania que não se negocia

No palanque de BH, Lula foi enfático sobre a relação com os Estados Unidos: “Não queremos interferência no Brasil”. A frase resume a posição do governo: diálogo sim, submissão nunca. O Brasil negocia de igual para igual, defendendo a soberania nacional diante das pressões comerciais do império.

A conversa com Trump também tratou de segurança e cooperação no combate ao crime organizado. Lula defendeu uma atuação conjunta dos dois países e afirmou que as organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas. O presidente apresentou ações adotadas pelo Brasil, incluindo medidas de asfixia financeira que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões, a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

Sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, Lula criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão. Ao defender a busca por soluções diplomáticas, o presidente afirmou:

“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”.

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A missão que continua

De BH, Lula defendeu as universidades públicas e a ampliação do acesso de pessoas negras, indígenas e pobres ao ensino superior, e reafirmou uma de suas principais metas: acabar com a fome no Brasil. O presidente também defendeu que o Brasil avance no processamento de minerais críticos e terras raras, agregando valor à produção nacional em vez de apenas exportar, desenvolvendo cadeias industriais capazes de produzir chips e baterias.

Enquanto isso, o candidato ao governo de Minas Gerais, Patrus Ananias (PT), afirmou que o estado vive um quadro “muito triste” e defendeu a permanência da Cemig sob controle do estado e a discussão sobre a reestatização da Copasa, em meio ao debate sobre a privatização promovido pelo governo de Romeu Zema (Novo). A candidata ao Senado Marília Campos (PT) chamou atenção para a baixa presença feminina na política mineira: em 202 anos de Senado Federal, Minas Gerais elegeu apenas uma mulher para a Casa.

A missão de Lula segue em duas frentes: reconstruir o Brasil por dentro e defender a soberania nacional por fora. Do palanque de BH ao telefone com Trump, o recado é o mesmo: o Brasil não se curva. Negocia, dialoga, mas decide o próprio destino. E o povo, que lotou a Praça da Estação, sabe que a luta ainda não terminou.

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