A Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por centenas de homens trans e aliados na tarde deste domingo (29). A terceira edição da Marcha Transmasculina reuniu manifestantes em defesa de respeito, dignidade e inclusão. O ato, que partiu do Masp em direção ao Pq. Trianon, destacou a luta contra o apagamento e a violência sofrida pela população transmasculina, uma parcela muitas vezes invisibilizada no debate sobre direitos LGBTQIA+.
Os participantes carregaram faixas e cartazes com mensagens como “Transmasculino é trans também” e “Parem de nos apagar”. O foco foi na denúncia de preconceitos específicos, como a negação de identidades e a falta de políticas públicas voltadas para essa população. Segundo organizadores, a marcha busca visibilizar experiências que vão além do binarismo tradicional, combatendo a ideia de que o ativismo trans se resume a questões femininas.
Apagamento e violência no dia a dia
A coordenação do evento apontou que transmasculinos enfrentam barreiras únicas, como a dificuldade de acesso a hormonização, saúde mental e emprego sem discriminação. “Nós existimos e resistimos, mas precisamos de políticas que nos reconheçam”, disse um dos manifestantes, que preferiu anonimato por medo de retaliação no trabalho.
O ato também criticou a violência estatal e social. Relatos de agressões físicas, exclusão familiar e barreiras no sistema de saúde foram compartilhados durante o percurso. A marcha reforçou a necessidade de leis que protejam identidades de gênero em todos os espectros, incluindo o masculino trans. “O respeito não é negociável. Dignidade é direito humano”, ecoou um dos slogans entoados pela multidão.
Caminho para inclusão e políticas reais
A edição de 2026 ganhou força com o aumento de participantes em relação aos anos anteriores. Organizadores atribuem isso à maior conscientização, mas alertam para retrocessos em direitos civis no Brasil. “Estamos aqui para cobrar o Estado e a sociedade. A inclusão não pode ser só discurso”, afirmou a coordenadora geral da marcha.
O encerramento ocorreu com um ato cultural no Pq. Trianon, onde artistas transmasculinos se apresentaram, reforçando a arte como ferramenta de resistência. A marcha termina com um chamado à ação: pressionar por mais visibilidade e políticas públicas que garantam dignidade a todos os transmasculinos.






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